sábado, 20 de outubro de 2007

Massa crava a pole em Interlagos e Hamilton fica pertinho do título

Felipe Massa garantiu, no braço, a pole position para o Grande Prêmio do Brasil de amanhã. Com uma performance absolutamente perfeita, o brasileiro bateu todos os três candidatos ao título, que vieram logo a seguir. O mais rápido deles, Lewis Hamilton, vai largar da segunda posição. O inglês, sem dúvida, está com a mão na taça.

Cheguei a Interlagos por volta de 9:30 da manhã, conseguindo um lugar até razoável na arquibancada. Como costuma acontecer aos sábados, pude acompanhar as atividades pelo telão. Amanhã, duvido que isso volte a ocorrer. Ao redor do Autódromo José Carlos Pace, o público se empilhou para assistir ao primeiro round da batalha final entre Hamilton, Alonso e Raikkonen. Mas quem brilhou foi Massa.

Desde o treino da manhã, o brasileiro da Ferrari já mostrava sua excelente forma. Ele liderou a terceira sessão de ensaios livres, superando Hamilton e Raikkonen, que vieram imediatamente atrás. Destaque negativo para Alonso - apenas o oitavo - e para Kubica, que rodou e não passou de 20o.

O que interessava, porém, era a classificação das 14 horas. Já no primeiro período, Massa mostrou que não estava para brincadeiras e voltou a liderar a tabela de tempos. Depois, Alonso-Raikkonen-Hamilton. Aliás, esse segundo lugar seria o ponto alto do dia do espanhol. Os "nocauteados: Kovalainen (surpresa), Sato, Nakajima (uma pequena decepção), Davidson, Sutil e Yamamoto.

Alguns minutos depois, os carros retornaram à pista para a segunda parte do treino classificatório. Dessa vez, deu Raikkonen em primeiro, seguido de Hamilton-Massa-Alonso. Rubinho quase chegou à superpole: foi 11º, um ótimo desempenho para os padrões da Honda. No grupo dos demais eliminados, Fisichella, Vettel, Liuzzi, Ralf (terá sido a última classificação da vida dele?) e Button.

Então, finalmente, era a hora da verdade. Na fase final do treino, as McLaren deram um giro de queima de combustível a mais do que a concorrência, ganhando alguns décimos que quase fizeram a diferença. De fato, Hamilton só não fez a pole porque Massa acertou uma volta perfeita na sua segunda tentativa.

Raikkonen, que perdeu tempo ao errar na Descida do Lago e no Bico do Pato, fechou em terceiro, logo à frente de um desanimado Alonso. O espanhol, realmente, está em situação delicada. No cenário atual, Hamilton só perde o título se fizer uma bobagem estúpida (como a de Xangai) ou se sofrer um azar terrível...

Sensacional a classificação de Webber, que foi quinto e ganhou a disputa entre os "outros". Na seqüência, completando do dez primeiros, vieram Heidfeld, Kubica, Trulli, Coulthard e Rosberg. Notável, também, a evolução dos pilotos da Toro Rosso - Vettel e Liuzzi - que passaram tranqüilamente pela primeira guilhotina e se colocaram em 13o. e 14o., respectivamente.

O principal fator da prova de amanhã: os pneus, já que a Bridgestone claramente errou ao escolher macios e super-macios para a recapeada pista de Interlagos. Segundo os pilotos, a resistência dos compostos é bastante limitada. Aliás, não será surpresa se algumas equipes arriscarem táticas de três paradas.

Da posição onde eu estava, praticamente da reta dos boxes, dava para observar os pilotos em vários trechos da pista, desde a reta de largada até a curva da Junção. O mais interessante, porém, foi perceber as variadas trajetórias no Laranjinha, onde cada piloto usava uma linha ligeiramente diferente.

Massa, por exemplo, abria mais sua tangência do que qualquer outro antes de negociar a entrada na parte mais lenta do circuito de Interlagos. Ao mesmo tempo, Alonso parecia brigar com o carro, lutando para mantê-lo em linha reta. O número de correções que o espanhol é obrigado a fazer é enorme, e bem superior ao de seu principal adversário, Hamilton.

Ao contrário de Alonso, o inglês percorre uma trajetória quase que "pré-definida". Quase nunca desvia-se da linha, e praticamente não precisa mudar a direção. Por causa desse estilo limpo, Hamilton já está sendo indicado como favorito ao ano que vem, quando o controle de tração será proibido. O novato, definitivamente, dispensa o acessário.

E Raikkonen? O finlandês é um caso à parte. Quando chega na primeira perna do Laranjinha, o finlandês joga o carro sobre as zebras, de uma maneira excepcionalmente bruta. A cada volta, sua linha também muda de forma quase imperceptível. Não é que Raikkonen não consiga manter a mesma trajetória. É diferente: o finlandês está sempre procurando o seu limite.

A seguir, o grid de classificação para o Grande Prêmio do Brasil:

1. Felipe Massa-Brasil-Ferrari, 1:11.931s
2. Lewis Hamilton-Inglaterra-McLaren, 1:12.082s
3. Kimi Raikkonen-Finlândia-Ferrari, 1:12.322s
4. Fernando Alonso-Espanha-McLaren, 1:12.356s
5. Mark Webber-Austrália-Red Bull, 1:12.928s
6. Nick Heidfeld-Alemanha-BMW, 1:13.081s
7. Robert Kubica-Polônia-BMW, 1:13.129s
8. Jarno Trulli-Itália-Toyota, 1:13.195s
9. David Coulthard - Red Bull, 1:13.272s
10. Nico Rosberg-Alemanha-Williams, 1:13.477s
11. Rubens Barrichello-Brasil-Honda, 1:12.932s
12. Giancarlo Fisichella-Itália-Renault, 1:12.968s
13. Sebastian Vettel-Alemanha-Toro Rosso, 1:13.058s
14. Vitantonio Liuzzi-Itália-Toro Rosso, 1:13.251s
15. Ralf Schumacher-Alemanha-Toyota, 1:13.315s
16. Jenson Button-Inglaterra-Honda, 1:13.469s
17. Heikki Kovalainen-Finlândia-Renault, 1:14.078s
18. Takuma Sato-Japão-Super Aguri, 1:14.098s
19. Kazuki Nakajima-Japão-Williams, 1:14.417s
20. Anthony Davidson-Inglaterra-Super Aguri, 1:14.596s
21. Adrian Sutil-Alemanha-Spyker, 1:15.217s
22. Sakon Yamamoto-Japão-Spyker, 1:15.487s

A largada da prova está marcada para as 14:00 de Brasília, amanhã. Qualquer fã de velocidade que se preze não vai perder de jeito nenhum.



De forma contrária à sexta, o dia de hoje não foi muito movimentado, em termos de notícia. Mas vamos a um pequeno resumo do que aconteceu:

Durante alguns instantes, Massa foi ameaçado de perder a pole por ter, supostamente, dado uma volta a mais após receber a bandeira quadriculada na última parte da classificação. No fim, veio o esclarecimento: o brasileiro passou pela linha de chegada a dois segundos do encerramento e, portanto, não fez nada de errado. Aliás, Raikkonen e Kubica também deram esse "giro extra", mas ninguém percebeu...


Enquanto isso, a Spyker anunciou que vai trocar de nome em 2008. Sabe qual é a nova denominação da equipe laranja? Force India F1 (algo como Força da Índia, na tradução literal), uma homenagem do empresário Vijay Mallya - novo dono do time - ao seu país natal. Sinceramente, achei horroroso. Mais cafona, impossível.

Falando em Spyker, Adrian Sutil assegurou que já tem vaga na Fórmula 1 para a próxima temporada. Resta saber aonde. Por enquanto, o mais provável é que ele faça parte da estreante Force India, mas o alemão também é especulado na Williams, na Toyota e até na McLaren. Assim como vários outros pilotos, Sutil precisa esperar pela definição de Alonso para conhecer seu time em 2008.

Outro na mesma situação é Timo Glock, campeão da recém-encerrada GP2 e piloto de testes da BMW. Na equipe alemã, ele não continua no ano que vem, como revelou neste sábado o principal dirigente do time, Mario Theissen. Pelo que foi dito recentemente, o provável destino de Glock é a Toyota. Entretanto, ainda não dá para garantir.



O espanhol Daniel Pedrosa cravou sua terceira pole position consecutiva na MotoGP, ao estabelecer o melhor tempo no treino classificatório do Grande Prêmio da Malásia, em Sepang. O piloto da Honda superou o campeão antecipado e palpite do Blog, Casey Stoner, em apenas 0.041s. Apesar de perder a disputa do sábado, o australiano ainda é o grande favorito para a corrida.

Marco Melandri, Randy de Puniet e Anthony West completaram os cinco primeiros. Valentino Rossi foi apenas o nono, confirmando a péssima fase da Yamaha. Por sua vez, o brasileiro Alexandre Barros fechou na 12ª posição. O Grande Prêmio da Malásia da MotoGP acontece na madrugada de sábado para domingo de Brasília, com transmissão do Sportv.

No belíssimo circuito de Surfers Paradise, na Austrália, o piloto da casa Will Power marcou a pole para a penúltima etapa da temporada da ChampCar. Líder da sexta-feira, Oriol Servia foi segundo, com Paul Tracy em terceiro. Virtual campeão e aposta do Blog, o francês Sebastien Bourdais veio em quarto, enquanto o brasileiro Bruno Junqueira ficou em sétimo.

Jeff Gordon deu continuidade à sua excelente fase na Nascar ao estabalecer o melhor tempo no treino classificatório para a etapa de Martinsville, que será realizada no domingo. Martin Truex Jr., Kevin Harvick, Jimmie Johnson e Kasey Kahne fecharam o top 5. Meu palpite, Kyle Busch, aparece em sexto, com Juan Pablo Montoya em 26º.


Para minha enorme decepção, descobri que o computador da internet do meu hotel é limitado e não suporta fotos de uma máquina digital. Assim, o post especial sobre os bastidores de Interlagos fica adiado. Pensando bem, será até melhor. Em vez de apresentar tudo em apenas dois dias - sábado e domingo - vou passando as cenas do G.P. ao longo das próximas semanas. Acreditem, é bastante assunto!

O tempo do meu cartão já vai acabando e eu preciso ir. Neste domingo, volto com o relato do Grande Prêmio do Brasil, a grande final do campeonato. Até amanhã!


Crédito das fotos:
Will Power - www.champcarworldseries.com
Demais - www.gpupdate.net

Resumo da sexta-feira

(O Blog F1 Grand Prix já está confortavelmente instalado em São Paulo, após uma viagem que durou oito horas - oito! - em virtude de um gigantesco engarrafamento na Via Dutra. Diretamente da sede do Grande Prêmio do Brasil, começamos nossa humilde cobertura "in loco". Espero que vocês gostem...)

Lewis Hamilton abriu as atividades do Grande Prêmio do Brasil na liderança, ao cravar o melhor tempo na segunda sessão de treinos livres. Seu arquiirival, Fernando Alonso, não ficou muito atrás, terminando na segunda posição com uma volta apenas 0.122s mais lenta do que a do inglês. Logo atrás, veio a dupla da Ferrari, com Felipe Massa à frente de Kimi Raikkonen.

Não vi quase nada dos ensaios. Mesmo assim, deu para perceber que os tempos de hoje não valem de muito parâmentro. Uma prova disso: a volta de Hamilton foi mais de dois segundos pior do que a pole de Massa, no ano passado. Considerando que o asfalto, em tese, deve tornar a pista mais rápida, ainda há muito espaço para melhora.

Chovia timidamente pela manhã, e os pilotos demoraram a experimentar a nova superfície de Interlagos. No fim, Kimi Raikkonen foi o melhor da sessão, apesar de ter completado apenas nove voltas no total. Fernando Alonso, que optou por poupar seu motor, nem chegou a estabelecer tempo.

À tarde, as coisas ficaram mais interessantes. A maioria dos pilotos andou bastante, e a ponta foi trocando de mão à medida que os tempos íam baixando. Hamilton fez a volta mais rápida, mas seus rivais não ficaram muito longe. Pelo que se viu até agora, a classificação de amanhã continua totalmente impresível. A corrida, então, nem se fala.

Olhando a tabela de tempos, destaque principal para Giancarlo Fisichella, o melhor piloto fora do "G4". Além dele, Kazuki Nakajima também merece elogios: em seu primeiro dia como titular da Williams, ficou a apenas 0.009s de seu companheiro de equipe, Nico Rosberg. Por sua vez, Rubens Barrichello bateu Jenson Button e foi 13o. Sua Honda, porém, continua fraca demais para despertar esperanças.

A seguir, a tabela de tempos da sexta-feira do Grande Prêmio do Brasil. Todos os pilotos estabeleceram suas melhores marcas na sessão da tarde:

1. Lewis Hamilton-Inglaterra-McLaren, 1:12.767s
2. Fernando Alonso-Espanha-McLaren, 1:12.889s
3. Felipe Massa-Brasil-Ferrari, 1:13.075s
4. Kimi Raikkonen-Finlândia-Ferrari, 1:13.112s
5. Giancarlo Fisichella-Itália-Renault, 1:13.549s
6. Robert Kubica-Polônia-BMW, 1:13.587s
7. Nico Rosberg-Alemanha-Williams 1:13.655s
8. Kazuki Nakajima-Japão-Williams, 1:13.664s
9. David Coulthard-Escócia-Red Bull, 1:13.706s
10. Nick Heidfeld-Alemanha-BMW, 1:13.785s
11. Ralf Schumacher-Alemanha-Toyota, 1:13.829s
12. Heikki Kovalainen-Finlândia-Renault, 1:13.879s
13. Rubens Barrichello-Brasil-Honda, 1:13.892s
14. Jenson Button-Inglaterra-Honda, 1:14.095s
15. Vitantonio Liuzzi-Itália-Toro Rosso, 1:14.152s
16. Jarno Trulli-Japão-Toyota, 1:14.179s
17. Sebastian Vettel-Alemanha-Toro Rosso, 1:14.409s
18. Takuma Sato-Japão-Super Aguri, 1:14.431s
19. Anthony Davidson-Inglaterra-Super Aguri, 1:14.477s
20. Mark Webber-Austrália-Red Bull, 1:14.543s
21. Adrian Sutil-Alemanha-Spyker, 1:15.095s
22. Sakon Yamamoto-Japão-Spyker, 1:15.715s

Amanhã, o terceiro treino livre acontece às 11 horas de Brasília. Mais tarde, às 14:00, é acontece a classificação.


Logo hoje, quando fiquei bastante tempo afastado de um computador, várias notícias agitaram os bastidores da Fórmula 1. Vamos a um rápido resumo:

Lewis Hamilton, Jenson Button e Takuma Sato foram multados em 15 mil euros e perderam um jogo de pneus de chuva para o resto do fim de semana. O motivo: utilizaram mais compostos de pista molhada na sessão da manhã do que o regulamente permite. Punição normal, diga-se de passagem. Mas que deixou a imprensa espanhola fula da vida. Hamilton, uma vez mais, saiu no lucro.

Aos profissionais presentes em Interlagos, Bernie Ecclestone assegurou que a Prodrive não vai, realmente, fazer sua estréia na Fórmula 1 na próxima temporada. Uma vergonha para a FIA, que escolheu o time inglês como a 12a. equipe da categoria após um longo processo de seleção, que tinha mais de 22 candidatos. Pelo visto, a opção da entidade foi completamente equivocada. Para variar...

Enquanto isso, Fernando Alonso esfriou os rumores de que estaria de mudança para a Renault, ao afirmar que sua saída da McLaren "não tem lógica". Ao mesmo tempo, o jornalista Fábio Seixas - fonte bastante confiável - garantiu na Rádio Bandeirantes que Nelsinho Piquet vai, sim, estrear como titular da equipe francesa em 2008. Será que a Renault desistiu do espanhol (não tem interrogação nesse teclado, caramba!).

Por fim, um grupo de empresários anunciou a construção de um mega-complexo automobilístico na cidade gaúcha de Nova Santa Rita. Parte do projeto, aliás, já começou a ser erguido. O objetivo principal é ter uma pista de nível internacional e que se torne referência no continente americano. Considerando a importância do assunto, voltaremos a ele na semana que vem.

Agora, simplesmente não há tempo porque o meu cartão de duas horas já está quase estourando...


Como previsto, as demais categorias que correm neste fim de semana foram completamente ofuscadas pela Fórmula 1. De qualquer forma, o Blog não pode deixar de registrar suas atividades.

No circuito de Sepang, o francês Randy de Puniet cravou a pole provisória do Grande Prêmio da Malásia da MotoGP. O desempenho do piloto da Kawasaki foi surpreendente, mas não deve se manter amanhã. Até porque Casey Stoner, o favorito da maioria - incluindo o escriba do Blog - não ficou muito atrás, na segunda posição.

Na seqüência, Marco Melandri, Daniel Pedrosa e Anthony West completaram os cinco primeiros. Alexandre Barros fechou na 12a. posição e Valentino Rossi não passou de 16o, sofrendo horrores com o péssimo desempenho de sua Yamaha. Amanhã, a MotoGP define seu grid de largada para a prova da madrugada de domingo em Brasília.

Em Surfers Paradise, na Austrália, a ChampCar abriu suas atividades da penúltima etapa de sua temporada. No fim do dia, o espanhol Oriol Servia terminou com o melhor tempo, seguido de Will Power e Justin Wilson. O palpite do Blog - Sebastien Bourdais - fechou numa discreta oitava posição. Por sua vez, o brasileiro Bruno Junqueira foi sétimo.

Por fim, a Nascar realizou treinos livres no mini-oval de Martinsville, visando a etapa de domingo. Líder do campeonato, Jeff Gordon liderou os ensaios, com os azarões John Andretti e Tony Raines logo a seguir. Minha aposta, Kyle Busch, ficou em 16o, com Juan Pablo Montoya apenas uma posição atrás.


Infelizmente, a internet do hotel onde estou não se conecta ao YouTube. Por causa disso, o Blog vai ficar sem vídeos pelos próximos dias. Alías, peço desculpas antecipadas aos amigos blogueiros, já que ficarei sem tempo para visitar seus espaços neste fim de semana. A partir de terça, tudo volta ao normal.

Neste sábado, o Blog começa sua cobertura especial do Grande Prêmio do Brasil. A partir da parte da tarde, volto comentando as atividades da prova e o noticiário do mundo da velocidade. E depois, no fim do dia, vem aí um post especial, com os bastidores do dia em Interlagos. Até amanhã!

Crédito das fotos:

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Post em OFF - Rumo a Interlagos!

Uma rápida passada na faculdade para pegar a prova da semana passada e depois lá vou eu para São Paulo. De ônibus, porque o caos aéreo imperava na época em que comprei as passagens. Ingresso do setor A na mão, estarei em Interlagos no sábado e no domingo, acompanhando esse Grande Prêmio do Brasil que tem tudo para ser memorável.

Para meu grande alívio, descobri que o hotel onde vou ficar tem, sim, internet. O Blog, então, tem suas atualizações garantidas, sempre na parte da tarde e à noite. Hoje, por exemplo, o comentário sobre os treinos da sexta e as notícias mais recentes, além do relato das outras categorias, sai só no fim do dia.

Minha humilde cobertura "in loco" vai ter dois posts sobre os bastidores de Interlagos, um no sábado e outro no domingo. Espero que vocês gostem. Por hora, me despeço e desejo a todos um excelente Grande Prêmio do Brasil. Ao vivo ou pela televisão, quem assistir à prova deve testemunhar uma decisão histórica.

Até mais!

Crédito da foto: Site oficial do Grande Prêmio do Brasil - www.gpbrasil.com.br

Agenda do fim de semana (19 a 21 de outubro)

Precisa dizer qual é o destaque dos próximos três dias? Sem dúvida nenhuma, a Fórmula 1 - mais do que nunca - monopoliza as atenções. No Grande Prêmio do Brasil, em Interlagos, decide-se o título da temporada. As outras categorias que me perdoem, mas vão ficar ofuscadas dessa vez. Hora de conferir a sempre útil agendinha:

Domingo, 21 de outubro de 2007

ChampCar: Etapa de Surfers Paradise
FÓRMULA 1: Grande Prêmio do Brasil
MotoGP: Grande Prêmio da Malásia
Nascar: Etapa de Martinsville

O dia 21 de outubro tem tudo para ficar na história do automobilismo. Pelo terceiro ano consecutivo, a decisão do título da Fórmula 1 acontece em Interlagos. E - pela primeira vez desde 1986 - três pilotos estão na briga pelo troféu de campeão. Cravar um palpite é realmente difícil. Mas, depois de muita reflexão (provavelmente inútil, mas tudo bem...), cheguei aos meus favoritos.

Anote aí: Kimi Raikkonen vence a corrida e Lewis Hamilton leva o título. Se eu levo fé nessa combinação? Não muito. De qualquer forma, precisava fazer minha aposta, e aí está. Antes que os fãs de Fernando Alonso e Felipe Massa joguem pedras em mim, permitam-me uma pequena explicação.

Dos três candidatos à glória, Hamilton é aquele que tem mais chances de sair coroado campeão. O raciocíno é simples: o inglês precisa de apenas um segundo lugar para arrebatar o título. Considerando que terminou nas duas primeiras posições em 9 das 17 provas do ano (mais de 50%), Hamilton é o grande favorito, em termos probabilísticos.

Mas não é só por isso que meu palpite é o inglês. Após o abandono no G.P. da China, Hamilton vai contar com um novo motor, especialmente preparado para Interlagos, que deve representar um ganho de dez cavalos de potência sobre o propulsor de Fernando Alonso. É uma vantagem considerável. Tudo bem que Raikkonen também terá uma versão especial, mas o finlandês está bem longe do novato na tabela de pontos.

No cenário atual, Hamilton está pertinho do céu. Só não pode ceder à pressão de Alonso e da mídia espanhola. Ou sofrer algum azar monstruoso, daqueles dignos de marcar a carreira de um piloto. Como o de Nigel Mansell no G.P. da Austrália de 1986, quando o Leão teve um furo de pneu nas últimas voltas da prova que lhe daria o título.

E o palpite em Raikkonen para a vitória, como eu explico? Simples: pura intuição. Às vezes, analisar as circunstâncias nem sempre vale a alguma coisa. Vejam só: a McLaren leva vantagem por se comportar melhor com os pneus que a Bridgestone trouxe para o G.P. Brasil. Mas a Ferrari costuma se dar muito bem em asfaltos lisos, como a nova superfície de Interlagos.

Tudo empatado? Isso mesmo. Se não bastasse a expectativa pela decisão do título, o G.P. Brasil também tem tudo para ser espetacular porque é totalmente imprevisível. Para ser honesto, eu diria que cada um dos quatro protagonistas da temporada têm chances iguais de vitória. Mas eu precisava apostar em alguém. Fechei os olhos e escolhi Raikkonen.
Palpite do Blog para a vitória: Kimi Raikkonen
Palpite do Blog para o título: Lewis Hamilton

Enquanto isso, a MotoGP vai encerrando de forma discreta sua temporada 2007. Neste fim de semana, a categoria corre na Malásia, na penúltima prova do ano. Escolher um favorito é fácil: nas longas retas da pista de Sepang, o ótimo motor da Ducati deve levar vantagem. E, assim, meu palpite fica meio óbvio. Mais uma vez, vou de Casey Stoner.
Palpite do Blog para a vitória: Casey Stoner

No belíssimo circuito de rua de Surfers Paradise, a ChampCar realiza sua 13ª de 14 etapas da temporada. Para o virtual campeão, Sebastien Bourdais, basta largar para confirmar o título. Será que o francês assegura o tetra-campeonato com estilo? O Blog aposta que sim. Jogo minhas fichas em Bourdais, futuro piloto da Toro Rosso em 2008.
Palpite do Blog para a vitória: Sebastien Bourdais

Por fim, a Nascar corre no mini-oval de Martinsville. Serão nada menos do que 500 voltas ao redor do pequenino circuito, um dos mais tradicionais da categoria. Experiência é fundamental na maratona, mas nem sempre os veteranos levam a melhor. É pensando nisso que aposto em Kyle Busch, companheiro de Jeff Gordon e Jimmie Johnson na Hendrick, a equipe que venceu sete das últimas nove provas em Martinsville.
Palpite do Blog para a vitória: Kyle Busch

Ao longo do dia, o Blog volta comentando as principais notícias do mundo da velocidade, além das primeiras atividades do Grande Prêmio do Brasil. Nos vemos por aí!

Crédito das fotos:
Interlagos - http://fabioseixas.folha.blog.uol.com.br/ (foto de Fábio Seixas)
Lewis Hamilton (ambas) e Kimi Raikkonen - www.gpupdate.net
Casey Stoner - www.moto-live.com
Sebastien Bourdais - www.champcarworldseries.com

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

A poucos dias da decisão, candidatos ao título tentam fugir das polêmicas

Duas coletivas de imprensa movimentaram os jornalistas nesta quinta-feira, em São Paulo. Pela manhã, Kimi Raikkonen e Felipe Massa participaram de uma série de entrevistas promovidas pela Shell, no Hotel Transamérica. Mais tarde, os dois se juntaram a Lewis Hamilton e Fernando Alonso na sabatina montada pela FIA, no próprio autódromo de Interlagos.

Como sempre, os pilotos mostraram toda a capacidade do mundo para fugir das questões mais polêmicas. Hamilton, por exemplo, disse duvidar que o título seja decidido num acidente: "Somos profissionais e nosso principal objetivo é completar as corridas. Não acho que vou ter problemas assim na prova", disse o inglês.

Ao mesmo tempo, Alonso teve que explicar a presença de um observador na FIA para garantir a igualdade de condições dentro da McLaren. Segundo parte da mídia especializada - sobretudo inglesa - a entidade só mandou um representante por pressão do espanhol. Alonso, porém, negou: "Não concordo com essa decisão. Não acho que há necessidade alguma de ter um inspetor da FIA conosco".

Por sua vez, Kimi Raikkonen foi repetidamente perguntado sobre a recente renovação do contrato de seu companheiro de Felipe Massa com a Ferrari, que "poderia" enfraquecer a posição do finlandês na equipe vermelha. Como de costume, Raikkonen deu uma resposta clara e direta: "Isso não me interessa. Tenho um acordo com a Ferrari e o campeonato continuará difícil da mesma maneira".

E Felipe Massa? Apesar de já estar fora da briga pelo troféu de campeão, o brasileiro também precisou responder uma questão bastante desconfortável: e se Kimi Raikkonen levar o título, como fica a sua situação? Massa não se intimidou: "Nossa relação vai continuar a mesma. E o tratamento dentro da equipe, também".

Ao contrário do que costuma acontecer, a FIA surpreendeu e escalou os quatro protagonistas da temporada para a sua entrevista coletiva pré-G.P. Mas o encontro com os jornalistas foi bastante chato e previsível. Nessa altura, Hamilton, Alonso, Raikkonen e Massa só desejam afastar as fofocas envolvendo seus nomes. Eles não precisam de mais dores de cabeça.

Já basta toda a pressão que vão enfrentar no domingo, quando decidem o destino do campeonato mais emocionante dos últimos vinte anos.


Outro que falou bastante nesta quinta foi Rubens Barrichello. Numa reunião que só contou com jornalistas brasileiros, o piloto da Honda abriu o jogo e falou com franqueza sobre a atual temporada, que tem tudo para ser a pior de sua longa carreira na Fórmula 1. Apesar da péssima fase, Rubinho garantiu não ter perdido o sonho de voltar a brigar pelas primeiras posições.

"Só vou pensar em parar quando não tiver mais esperança de ver a Honda me dando um carro de ponta. Quero continuar fazendo o que mais gosto: correr", falou Barrichello. De fato, otimismo é tudo o que resta a Rubinho. O modelo RA107, que chegou a melhorar de rendimento na metade do ano, caiu de novo nas últimas corridas, apesar do fantástico quinto lugar de Jenson Button no G.P. da China.

Agora, a chance da equipe japonesa é uma prova com pista molhada. Nessas condições, a experiência de seus pilotos pode fazer bastante diferença. Aliás, Barrichello - consciente das limitações de seu carro - tem exatamente essa mentalidade: "Minha única chance de tentar um ponto está na chuva. De outra maneira, não tem jeito mesmo".

No dia de ontem, um simpático Rubinho participou de um evento de kart em São Paulo, acompanhando pela esposa, Silvana, e pelos filhos, Eduardo e Fernando. Com a má forma da Honda, Barrichello viu a pressão sobre suas costas diminuir bastante, o que contribuiu para aumentar sua tranqüilidade. Desde então, Rubinho tem criado um ambiente bem favorável na equipe, apesar da falta de resultados.

Se ele tivesse mantido essa postura durante seu período na Ferrari, poderia ter conseguido um desempenho bem mais significativo.



Agora, sim, tudo pronto para o Grande Prêmio do Brasil. Nesta quinta, o diretor de prova da FIA, Charlie Whitting, realizou uma última vistoria em Interlagos. No fim, a pista foi aprovada com mínimas ressalvas. Apenas algumas pequenas mudanças foram feitas, como a pintura de uma nova faixa na entrada do pit lane para orientar melhor os pilotos.

O problema da gigantesca mancha de tinta que surgiu na Curva do Sol foi resolvido com muita água e bicarbonato de sódio, que conseguiram apagar a vergonhosa marcação. Por enquanto, ainda não dá para saber se o trecho vai ficar um pouco escorregadio, mas a expectativa é os pilotos não encontrem maiores problemas.

Ao longo do dia de hoje, uma fina garoa caiu sobre Interlagos. A previsão do tempo, porém, continua apostando em tempo bom para a maior parte do fim de semana. Até agora, a chuva só ameaça os treinos de sexta e a classificação de sábado. Mas, pelo visto, a corrida provavelmente será disputada com sol e pista seca.

De qualquer forma, a prova deve ser sensacional e imprevisível. Embora a McLaren pareça levar vantagem por ter vencido sempre com os compostos macios e super-macios - escolhidos pela Bridgestone para Interlagos - a Ferrari costuma se dar bem em asfaltos lisos, como o da nova superfície do circuito. Acertar o ganhador do G.P. e o campeão da temporada é uma tarefa ingrata.

Alguém arrisca um chute?



Continuando o aquecimento para o Grande Prêmio do Brasil, o vídeo do dia destaca mais um momento marcante da história da prova. Dessa vez, a cena é o autódromo de Jacarepaguá, em 1982. Dois monstros da Fórmula 1 - Gilles Villeneuve e Nelson Piquet - duelam pela liderança, até que o canadense comete um erro e sai da pista:



Bons tempos, não?

Nesta sexta, o Blog volta com a Agenda do Fim de Semana, apresentando os destaques dos próximos três dias e o esperado palpite para o Grande Prêmio do Brasil. E, ao longo do dia, comentários sobre as principais notícias do mundo da velocidade. Até amanhã!

Crédito das fotos:
Entrevista coletiva - www.gpupdate.net
Rubens Barrichello - www.gpupdate.net
Últimos preparativos - www.gpupdate.net

Dicas úteis para quem vai ao Grande Prêmio do Brasil (reprise)

(Este post já foi publicado no dia 11 de agosto, quando a Fórmula 1 estava no meio das férias de verão da Europa e a falta de assunto era latente. Agora, com a proximidade do G.P. Brasil, é hora de reapresentar as dicas para aqueles que não viram na época...).

Do "alto" das minhas sete experiências no Grande Prêmio do Brasil em Interlagos - esse ano vai ser a oitava - segue abaixo uma pequena listinha de dicas bastante úteis para quem vai à corrida. Acreditem, cada uma delas faz diferença:

1) Chegue cedo: Essa é óbvia para todos que já foram ao G.P. Se você é novato, tente chegar, no máximo, até as 10 horas da manhã. Depois disso, esqueça. Só vai arranjar um lugarzinho bom, no alto da arquibancada e vendo o telão, se fizer amizade com a galera que está lá desde a madrugada. Tecnicamente, os ingressos desse ano têm lugar marcado. O que não deve passar de pura decoração, é claro.

2) Compre um protetor para o ouvido: Até o ano passado, eu nunca havia achado necessário comprar a tal espuminha para colocar na orelha. Fui isso que disse aos meus primos mineiros quando fomos juntos à corrida de 2006. Até hoje, eles ainda não me perdoaram. Portanto, se você faz a sua estréia, compre e veja se precisa você mesmo.

3) Leve almofadas: Parece frescura mas não é nem um pouco. Já experimentou ficar sentado de cinco a seis horas na confortável arquibancada de Interlagos? Além disso, as almofadas desempenham uma outra tarefa importantíssima: guardam o lugar quando é preciso ir ao banheiro. Para não sujar aquela que está no sofá, improvise o acolchoado da cadeira da piscina, por exemplo.

4) Não esqueça o protetor solar: Outro item de vital importância. Você não pode se preocupar apenas com os biscoitos e a máquina digital. Se estiver indo de arquibancada descoberta e esquecer o protetor, nem os zilhões de bonezinhos da Ferrari vendidos ao redor do autódromo vão te salvar.

5) Compre os tickets antes: Essa é de extrema importância. Logo depois de arrumar o seu lugar na arquibancada, dirija-se ao local das bebidas e das comidas. Abasteça-se de 15 a 20 tickets para depois, na hora da muvuca, não ter de passar pela primeira fila. Mesmo assim, é praticamente impossível escapar do empurra-empurra. Ainda mais depois que a galera se anima com a cerveja, não é?

6) Não leve a irmã, prima, namorada, noiva, mulher, mãe, etc, etc: Erro fatal cometido por estreantes. Se não bastassem as cantadas dos homens - que estão numa proporção de 50 para 1 mulher - ainda é um tanto desconfortável, para as moças, encarar o escatológico banheiro químico. Só leve uma acompanhante se ela for muito cuca fresca. Ou se, digamos, os atributos físicos não chamem muita atenção...

7) Use o transporte especial do evento: Vários ônibus ficam estacionadas do lado de fora do autódromo e saem para locais chaves de São Paulo - como o aeroporto - assim que ficam cheios. É mais rápido e prático do que ficar procurando um táxi ou esperando aquele cara que parou atrás de você no estacionamento.

8) Evite ir de avião...: Em todos os meus sete anos de experiência no G.P. Brasil, a situação do aeroporto de Congonhas após a corrida era um caos. Neste ano, então, o local estará próximo do apocalipse. Se você, assim como eu, não é de São Paulo, prefira algum outro meio de transporte.

9) ... mas se não tiver outro jeito: Passe no aeroporto antes da corrida e deixe suas malas no Guarda-Volumes. Assim, você não precisa voltar ao seu hotel após o G.P. Só tome cuidado para não chegar muito tarde no autódromo.

10) Vá preparado para levar um ferro: Dica puramente psicológica. Se você está esperando gastar apenas um pouco mais do que o preço do ingresso, vá tirando seu cavalinho da chuva. Tudo lá dentro é absurdamente caro. Até um copo de água sem gás dói no bolso. Mas fique com uma certeza: por mais que você leve prejuízo, tudo vale muito, muito a pena!

Até o final do dia, o Blog volta comentando as notícias desta quinta. Nos vemos por aí!

Crédito das fotos:
Protetor de ouvido - www.foxtrot.com.br
Protetor Solar - www.submarino.com.br
Torcida Feminina - www.folha.uol.com.br

Os 10+ do Blog F1 Grand Prix: Os Dez Acidentes Mais Espetaculares da História - Número Três

A seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix se despede desta semana com aquela que, talvez, tenha sido a pancada "solo" mais incrível da história. Não é exagero não. Sem perder tempo, vamos continuar com a contagem:

TERCEIRO COLOCADO - Philippe Alliot no Grande Prêmio do México de 1988

Um ilustre desconhecido para a maior parte do público da Fórmula 1, Philippe Alliot é muito mais lembrado pelos seus acidentes do que por seus resultados. Assim como seu folclórico contemporâneo Andrea de Cesaris, Alliot também tinha uma tendência quase natural de se envolver em batidas. A diferença é que as pancadas do francês costumavam ser bem mais espetaculares.

A carreira de Alliot na Fórmula 1 iniciou-se em 1984, quando ele - já, na época, um quase veterano de trinta anos de idade - conseguiu uma vaga na inexpressiva equipe RAM. O carro era horroroso e o francês não chegou nem perto de lutar por pontos. Seus melhores resultados foram dois décimos lugares, intercalados com uma gigantesca conta de onze abandonos.

Apesar da total falta de performance, Alliot permaneceu na RAM em 1985, sem ter muita escolha. Mais uma vez, a temporada foi esquecível. Na primeira prova, em Jacarepaguá, o francês até terminou numa promissora nona colocação. Mal sabia ele que seria sua única chegada do ano. No resto do campeonato, foram nada menos do que doze abandonos, batendo o recorde de 1984.

A RAM retirou-se da Fórmula 1 antes do fim do campeonato e Alliot ficou sem vaga para 1986. Sorte dele que o experiente Jacques Laffite sofreu um grave acidente no G.P. da Inglaterra, em Brands Hatch, abrindo um cockpit na tradicional Ligier. Ajudado pela nacionalidade francesa - a mesma da equipe - Alliot ganhou uma chance.

Pena que os resultados, mais uma vez, foram escassos. Em sete corridas, apenas um pontinho. E justamente no G.P. do México, onde Alliot sofreria o acidente mais incrível de sua vida. No fim da temporada, o francês não segurou sua vaga na Ligier, mas manteve-se na Fórmula 1 ao assinar com a Larrousse.

Em 1987, as coisas melhoraram um pouco: no total, Alliot marcou três pontos, após terminar uma trinca de vezes no sexto lugar. Entre os carros com motores aspirados, que faziam uma disputa à parte, o francês fechou em terceiro, um resultado bastante animador. Sem surpresas, Alliot permaneceu na Larrousse em 1988.

Dessa vez, porém, o ano seria muito mais difícil. Logo na terceira prova, em Mônaco, Alliot sofreu um forte acidente ao tentar abrir passagem para Riccardo Patrese, que vinha uma volta à frente. O italiano da Williams acertou a traseira de Alliot, que bateu de frente na barreira de proteção.

A pancada não seria nada, porém, se comparada ao que aconteceria no G.P. seguinte, no México. No treino de classificação, Alliot roubou a cena com um acidente incrível, que levou seu carro a um nível de destruição poucas vezes visto. Uma capotagem que, certamente, não poderia faltar na lista dos acidentes mais espetaculares da história.

Estamos nos últimos minutos do treino classificatório. Os pilotos estão naquela fase de dar o máximo por alguns centésimos a mais, que valem uma melhora significativa no grid. Alliot é um deles. Ele já tem um tempo razoavelmente bom, suficiente para colocá-lo perto dos dez primeiros. Mas o francês quer mais.

Saindo da super-veloz curva Peralta, a derradeira do circuito da Cidade do México, a Larrousse de Alliot dá uma súbita guinada para a esquerda, provavelmente causada pelas ondulações da pista. O francês tenta consertar e as coisas dão terrivelmente erradas. Fora de controle, o carro roda em altíssima velocidade, em plena reta de largada.

Alliot desliza em direção à mureta dos boxes, e o choque é inevitável. O piloto da Larrousse passa por cima de uma zebra pessimamente localizada e pula, acertando a barreira de lado. Seu carro, imediatamente, já se despedaça em milhares de pedaços, enquanto volta perigosamente para o meio da reta.

Por sorte, nenhum outro piloto passa naquele exato momento. Alliot dá dois giros completos e, por fim, termina do outro lado da pista, com a Larrousse completamente destruída. Não sobrou quase nada, e o carro parece destinado ao ferro velho. De maneira inacreditável, o francês sai andando, sem nenhum tipo de ferimento.

Mais incrível ainda é o trabalho dos mecânicos da Larrousse, que viram a noite reconstruindo o carro e conseguem prepará-lo para a corrida do dia seguinte. Alliot larga de 13º, mas retira-se logo na primeira volta, com um problema de suspensão. Apesar do abandono, o francês não podia reclamar da sorte.

Até o fim de sua carreira na Fórmula 1, em 1994, Alliot ainda se envolveria em vários outros acidentes. Além disso, ficaria lembrado como um dos pilotos mais difíceis de se ultrapassar, tendo representado um terror ao líderes por não obedecer às bandeiras azuis. De qualquer forma, nada marcou mais a trajetória do piloto francês do que seu acidente naquele G.P. do México.

Pela força da batida, que aconteceu num ponto de altíssima velocidade, por causa das duas capotagens e, principalmente, pelo estado de total destruição do carro após a pancada, o acidente de Philippe Alliot no treino de classificação do Grande Prêmio do México de 1988 leva o terceiro lugar na lista dos Dez Acidentes Mais Espetaculares da História.

A seguir, o vídeo da pancada:



A seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix volta na terça que vem, apresentando o número dois na lista. E hoje, ao longo do dia, comentários sobre as principais notícias do mundo da velocidade. Até mais!

Crédito das fotos:
Philippe Alliot - http://www.mclaren.com/
Acidente I a V - http://www.youtube.com/

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Mercedes pode ajudar Alonso a sair da McLaren

Já não é novidade para ninguém que Fernando Alonso está, sim, tentando forçar sua saída da McLaren. O problema é que o espanhol esbarra na sua multa rescisória, alta demais mesmo para equipes bastante interessas em contratar seus serviços, como a Renault. Assim, a novela "Para onde vai Fernando Alonso?" vai se arrastando, e só deve acabar depois do próximo Grande Prêmio do Brasil.

Enquanto isso, parte da mídia especializada, sem maiores assuntos para especular, continua jogando no ar vários boatos envolvendo o nome de Alonso. O novo rumor é que a Mercedes - a parceira da McLaren - teria decidido apoiar a saída do bi-campeão após uma reunião de sua mesa diretora. A fonte é o jornal alemão Bild.

Nesse caso, não há como adivinhar se a notícia é verdadeira ou se não passa de pura bobagem. A princípio, parece mais provável mesmo que a Mercedes tenha perdido a paciência com Alonso, depois de todas as demonstrações de rebeldia por parte do espanhol. Apesar disso, ainda é muito prematuro afirmar com convicção que a montadora alemã que ver o bi-campeão fora da McLaren.

Prova disso é que o principal dirigente de competições da Mercedes, Norbert Haug, negou nesta quarta, em entrevista à agência Deutsche Presse Agentu, a possibilidade de contratação dos alemães Nico Rosberg e Sebastian Vettel, apontados pela mídia como prováveis substitutos de Alonso. Segundo Haug, "os dois têm condições de pilotar para a McLaren", mas não estão em negociações com o time prateado.

Sobre Alonso, Haug foi claro: "Só vamos decidir sobre esse assunto após o Grande Prêmio do Brasil", disse o diretor da Mercedes. Sendo assim, a Fórmula 1 vai precisar esperar pelo fim da temporada para conhecer o destino do bi-campeão. Alonso fica na McLaren, vai para a Renault ou apronta uma surpresa e emplaca a próxima temporada numa Toyota da vida?

Façam suas apostas. Eu, como já disse aqui algumas vezes, jogava minhas fichas na permanência do bi-campeão na McLaren, mas mudei de opinião após os acontecimentos do G.P. da China. A torcida do time prateado por Lewis Hamilton em Xangai, convenhamos, foi descarada demais. Agora, está absolutamente claro que Alonso quer sair da equipe.

E que parte da McLaren também não agüenta mais ver a cara do espanhol.


A temporada 2007 serviu para mostrar que não só as mídias inglesa e alemã são capazes de produzir matérias sem o menor fundo de verdade. Os jornalistas da Espanha se superaram ao longo do ano, e ainda continuam escrevendo besteiras inacreditáveis. É o caso da manchete de hoje do diário AS: "Fernando Alonso pode substituir Kimi Raikkonen na Ferrari em 2009".

Isso, sim, é um boato absurdo. Antes, a tese do jornal: com a renovação do contrato de Felipe Massa até 2010, Kimi Raikkonen ficou desprevilegiado na Ferrari e tem chances de perder seu emprego para Fernando Alonso, sonha antigo da equipe vermelha, daqui a dois anos. Tudo bem, a história até faz um mínimo de sentido.

Mas falta responder a uma pergunta: por que a Ferrari abriria mão de Raikkonen? Existe motivo para isso? Será que Alonso vale tanto assim? Algumas vezes, a cegueira da imprensa espanhola impede qualquer tipo de reflexão mais profunda. Raikkonen é querido na Ferrari, e realiza um trabalho bom o suficente para permanecer prestigiado no time de Maranello.

Já disse isso antes e repito: a Ferrari não é equipe de ficar trocando de pilotos sem motivos realmente importantes. Desde 1996, o time de Maranello só realizou três mudanças, com as saídas de Eddie Irvine, Rubens Barrichello e Michael Schumacher. É muito pouco. No cenário atual, aposto que Massa e Raikkonen continuam juntos na equipe vermelha por mais umas quatro temporadas, mais ou menos.

Alonso, por melhor que seja, não é visto com tanta idolatria pelos dirigentes da Ferrari.


A notícia vem do site Autosport: o tradicional circuito de Silverstone, sede fixa do Grande Prêmio da Inglaterra desde 1987, anunciou planos de modernização para chegar aos padrões de exigência de Bernie Ecclestone e da Formula One Management, a empresa que cuida dos interesses da categoria.

Constantemente ameaçados de exclusão do calendário por causa dos problemas de infra-estrutura de Silverstone, os organizadores do Grande Prêmio da Inglaterra estão fazendo um grandioso esforço para manter a etapa fora de risco. Ao que parece, finalmente a pressão de Ecclestone está surtindo efeito.

As medidas, que incluem a construção de hotéis e de uma nova sala de conferência, por exemplo, são bastante necessárias. Afinal, as corridas européias perderam muito prestígio nos últimos anos com o avanço de várias nações asiáticas, que estão perto de acabar com a eterna hegemonia do Velho Continente no calendário da Fórmula 1.

Mesmo o fenômeno Lewis Hamilton poderia não ser suficiente para segurar o Grande Prêmio da Inglaterra na categoria. Ainda bem que Silverstone está se preparando para continuar na Fórmula 1 por muitos anos. Uma das poucas remanescentes da "velha guarda", ao lado de Interlagos, Mônaco, Monza e Spa-Francorchamps, a pista inglela não pode ficar de fora da categoria.

Manter um pouquinho de tradição, às vezes, não vai fazer nada mal à Fórmula 1.


O vídeo do dia é mais um aquecimento para o Grande Prêmio do Brasil do próximo domingo. Agora, as imagens - narradas por Luciano do Valle - mostram um momento histórico: a dobradinha de José Carlos Pace e Emerson Fittipaldi na prova de 1975. Vale a pena conferir:



Nesta quinta, o Blog volta com a seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix, apresentando o número três da lista do Dez Acidentes Mais Espetaculares da História. E depois, ao longo do dia, comentários sobre as principais notícias do mundo da velocidade. Até amanhã!

Crédito das fotos:
Norbert Haug - http://www.gpupdate.net/

Trinta e dois anos depois, Fórmula 1 volta ao circuito de Montjuïc Park

Mais de 200.000 pessoas testemunharam, no último fim de semana, um evento memorável no belíssimo circuito de Montjuïch Park. A pista espanhola - localizada dentro de um parque de Barcelona - completou 75 anos de existência recentemente e, embora não seja mais usada em competições, teve a data festejada de maneira muito especial.

Nada menos do que vinte modelos históricos da Ferrari exibiram-se nas ruas que, um dia, formaram o traçado de Montjuïc. Além deles, outras dezenas de carros de outras categorias - incluindo GTs, Protótipos, Fórmula 2 e Fórmula 1 - participaram do evento, batizado de "Martini Legends".

Para quem não sabe, a pista de Barcelona foi quatro vezes sede do Grande Prêmio da Espanha, em 1969, 1971, 1973 e 1975. Apesar de não ter permanecido na Fórmula 1 por muito tempo, Montjuïc Park deixou sua marca. Tanto que, no aniversário de 50 anos da categoria, foi eleito um dos dez maiores circuitos da história pela tradicional revista inglesa Autosport.

A curta trajetória de Montjuïc na Fórmula 1 encerrou-se em 1975, após uma corrida trágica. Liderando a prova, o alemão Rolf Stommelen sofreu uma quebra repentina e voou para fora da pista, matando cinco espectadores. Na época, a segurança da pista foi muito questionada e, mesmo antes do acidente de Stommelen, alguns pilotos já haviam se retirado por não concordar com as condições.

Ironicamente, o principal astro do evento do último fim de semana foi justamente o piloto que comandou o boicote a Montjuïc na corrida de 1975: Emerson Fittipaldi. No "Martini Legends", o bi-campeão pilotou o Lotus 72, carro que lhe rendeu seu primeiro título, em 1972. Ao lado do anfitrião Marc Gené, piloto de testes da Ferrari, "Emmo" roubou a cena.

"Voltar aqui depois de todos esses anos é fantástico. É uma ocasião muito especial num circuito de rua dos mais belos que já existiram", falou Emerson, vencedor em Montjuïc na prova de 1973. De fato, o evento foi emocionante e representou uma homenagem merecida a uma pista que, sem sombra de dúvida, tem lugar cativo entre as maiores da história do esporte.

Edit: O amigo Guilherme manda imagens raras do polêmico Grande Prêmio da Espanha de 1975, o último disputado em Montjuïc Park.



Até o fim do dia, o Blog volta comentando as notícias do dia. Nos vemos por aí!

Crédito das fotos: www.gpupdate.net

Os 10+ do Blog F1 Grand Prix: Os Dez Acidentes Mais Espetaculares da História - Número Quatro

Já estamos quase chegando lá. Nesta terça, a contagem dos Dez Acidentes Mais Espetaculares da História continua com uma pancada que, certamente, ainda está fresquinha na memória dos fãs da velocidade. Sem perder mais tempo, vamos em frente:

10.Martin Brundle - Austrália/1996
9. Christian Fittipaldi - Itália/1993
8. Derek Warwick - Itália/1990
7. Andrea de Cesaris - Áustria/1985
6. Luciano Burti - Alemanha/2001
5. Jos Verstappen, Eddie Irvine, Martin Brundle e Eric Bernard - Brasil/1994
QUARTO COLOCADO - Robert Kubica no Grande Prêmio do Canadá de 2007

Qual vai ser a principal lembrança da temporada que está para terminar? A luta encardida entre Lewis Hamilton, Fernando Alonso, Kimi Raikkonen e Felipe Massa pelo título? O caso de espionagem que agitou os bastidores da Fórmula 1? A péssima fase da Honda? O novato Markus Winkelhock liderando o G.P. da Europa com o pior carro do grid em sua primeira corrida?

Certo, mesmo, é que o campeonato de 2007 vai ficar marcado na história da Fórmula 1. Por tudo o que aconteceu dentro e fora das pistas, o ano foi memorável. No quesito acidentes, então, não será facilmente esquecido. É bem verdade que a atual temporada teve apenas uma pancada digna de nota. Mas ela compensou todo o resto do ano, que transcorreu de forma tranqüila.

Robert Kubica se tornou uma celebridade em seu país apenas por conseguir uma vaga na Fórmula 1. Afinal de contas, ele foi o primeiro polonês a pilotar um carro da categoria. Mais do que isso: logo em sua terceira corrida, Kubica já arrebatava um sensacional terceiro lugar, mostrando quão especial é o seu talento.

Saindo de uma nação sem a menor tradição no automobilismo, o polonês iniciou sua carreira nas categorias de base da Itália. Em 2001, aos 16 anos, estreou na Fórmula Renault italiana, correndo apenas metade do campeonato. No ano seguinte, foi vice-campeão, conquistando três poles e quatro vitórias.

Nessa mesma temporada - 2002 - Kubica foi convidado a participar da finalíssima da Fórmula Renault brasileira, que havia sido lançada naquele ano (e teve suas atividades encerradas em 2006). Correndo em Interlagos, numa pista onde nunca havia pisado antes, o polonês arrebentou a concorrência, vencendo com enorme facilidade.

Os pilotos brasileiros, humilhados por tamanha demonstração de superioridade de Kubica, argumentaram que o polonês usara um carro especialmente preparado. A acusação - diga-se de passagem - nunca foi comprovada. Após sua brilhante performance, Kubica voltou para a Europa, onde disputou a Fórmula 3 Européia pelos dois anos seguintes.

O polonês correu na categoria em 2003 e 2004, sem grande sucesso. Em 2005, porém, Kubica passou para a World Series by Renault, conquistando o título de forma surpreendente. Naquele momento, o próximo passo era, é claro, a Fórmula 1. Durante o ano de 2006, o polonês participou de vários fins de semana como piloto reserva da BMW.

Não demorou muito e a equipe alemã - percebendo o talento que tinha em mãos - demitiu Jacques Villeneuve para promover Kubica ao posto de titular. Logo na estréia, em meio à chuva de Hungaroring, o polonês conseguiu um ótimo sétimo lugar, apesar de sair da pista duas vezes. Mas a alegria não durou muito: horas depois da prova, Kubica foi desclassificado por estar abaixo do peso mínimo.

Duas provas depois, o polonês iria se recuperar de maneira consagradora, fechando em terceiro lugar no Grande Prêmio da Itália. Em Monza - pista que ele conhecia de seus tempos de Fórmula Renault - Kubica foi simplesmente magnífico, numa das mais incríveis atuações dos últimos anos. A temporada de 2006 terminou sem maiores novidades, mas o ano de 2007 parecia muito promissor.

E, de fato, a BMW deu um salto de performance excelente. Logo na pré-temporada, já ficou claro que a equipe alemã era a terceira força. À frente, inclusive, da campeã de 2005 e 2006, a Renault. Já no início do campeonato, Kubica e seu companheiro, Nick Heidfeld, emplacaram uma seqüência de ótimos resultados.

O começo de Kubica foi mais lento, prejudicado por problemas mecânicos em mais de uma oportunidade. Nos G.Ps. da Espanha e de Mônaco, porém, o polonês se recuperou, batendo Heidfeld em ambas as provas. Foi então que a Fórmula 1 cruzou o Atlântico para a disputa do G.P. do Canadá, em Montreal.

No grid, Heidfeld era um ótimo terceiro, enquanto Kubica não passava de oitavo. Na corrida, a sorte do polonês não mudaria muito. Atrapalhado por uma entrada de safety car logo antes de seu pit stop, Kubica caiu para as últimas posições. Naquele momento, ele partiu decicido a voltar ao pelotão de frente. Talvez, decidido demais.

A relargada ocorreu na volta 26. Os líderes já passavam pela reta dos boxes quando as câmeras focalizaram a BMW de Kubica, horrivelmente destruída. O polonês mexeu os braços e parecia estar bem, mas a preocupação era geral no paddock. Afinal de contas, aquela havia sido uma pancada das mais fortes já vistas na Fórmula 1.

Perseguindo Jarno Trulli, Kubica precipita-se ao tentar uma manobra no hairpin de Montreal. O polonês se aproxima demais do italiano e toca a traseira da Toyota, projetando-se para fora da pista, em alta velocidade e de forma imediata. A partir daí, Kubica vira passageiro do carro e protagonista de uma dos acidentes mais espetaculares da história.

Sem ter como controlar a BMW, o polonês passa por um pequeno salto na área de escape, que acaba com qualquer chance de evitar a barreira de proteção. Logo depois, Kubica bate na Toro Rosso de Scott Speed, que havia abandonado mais cedo. O choque com o muro é violento e até um pouco assustador.

A BMW sai rodando pela grama do circuito, com apenas uma roda ainda presa ao chassis. Quando volta para o asfalto, Kubica dá uma pequena quicada e completa um giro perfeito no ar, antes de deslizar em direção à proteção do outro lado da pista. A segunda batida já acontece em velocidade mais lenta, mas é suficiente para virar o carro de lado.

Kubica fica assim, tombado, até que as equipes médicas cheguem ao local do acidente. O polonês é levado ao hospital. Enquanto isso, as informações que circulam pelo paddock são as mais diversas. Alguns dizem que Kubica havia apenas machucado o braço. Outros garantem que o polonês havia quebrado as duas pernas.

No fim, o saldo foi ridículo, considerando a força da pancada: apenas um tornozelo torcido. De fato, Kubica teve muita sorte. Em outros tempos, não teria durado nem segundos. Ajudado pelos níveis de segurança da Fórmula 1, o polonês saiu andando do hospital apenas um dia após o Grande Prêmio do Canadá.

Mesmo assim, Kubica acabou de fora do G.P. dos Estados Unidos, disputado apenas uma semana depois. O polonês reclamou, mas precisou dar uma chance ao novato Sebastian Vettel, que faria sua estréia na Fórmula 1. Eventualmente, Kubica terminou se conformando. Perto do que poderia ter sofrido, perder apenas uma corrida não foi nada.

Pela violência impressionante da pancada, pelo estado de total destruição da BMW do polonês após a batida e por ter provado os altíssimos níveis de segurança da Fórmula 1 atual, o acidente de Robert Kubica no Grande Prêmio do Canadá de 2007 leva o quarto lugar na lista dos Dez Acidentes Mais Espetaculares da História.

A seguir, o vídeo da pancada:



Edit: O amigo Marcos, sempre muito presente nos comentários, manda um compacto do Grande Prêmio do Canadá de 2007, narrado por Galvão Bueno:



A seção Os 10+ do Blog F1 GrandPrix volta amanhã, com o número três da nossa lista. E hoje, ao longo do dia, o Blog retorna comentando as principais notícias do mundo da velocidade. Até mais!

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Acidente III - http://www.polef1.com/

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Barrichello: "Não passa pela minha cabeça a idéia de parar"

Vivendo momentos completamente opostos, Rubens Barrichello e Felipe Massa enfrentaram juntos, na tarde desta terça, uma coletiva de imprensa montada para promover o Grande Prêmio do Brasil do próximo domingo. E, embora Massa tenha acabado de renovar contrato com a Ferrari até 2010, foi o veterano Rubinho quem deu mais material aos jornalistas presentes.

Numa de suas mais interessantes declarações, Barrichello afirmou categoricamente: "Existe muita especulação sem nexo sobre a minha aposentadoria. Não passa pela minha cabela a idéia de parar". Durante toda a entrevista, Rubinho manteve o bom-humor, chegando até a comparar seu desempenho com o do seu time, o Corinthians, no Campeonato Brasileiro: "A briga (para ver quem termina pior) está bem disputada!".

De fato, a atual temporada de Barrichello não poderia ter sido pior. Após 16 corridas sem chegar na zona de pontuação, ele está muito perto de terminar o campeonato zerado, fato inédito na sua carreira. Com a total falta de perspectiva de melhora na Honda, Rubinho ligou a tecla "dane-se" e, compreensivelmente, relaxou na segunda metade do ano. Suas atuações, em conseqüência, caíram bastante de nível.

Apesar de tudo, Barrichello teve seu contrato com a Honda renovado até o fim de 2008, uma prova de que ainda tem crédito com a equipe. Depois disso, porém, o futuro de Rubinho é uma incógnita completa. Ele continua afirmando que não tem intenção de encerrar sua trajetória na Fórmula 1. Mas nem sempre essa decisão depende do piloto. Embora eu simpatize bastante com Barrichello, admito que a próxima temporada pode ser, sem muita surpresa, sua última.

Ao mesmo tempo, Felipe Massa está garantido na Ferrari por mais três anos. De forma antagônica a Rubinho, o piloto da equipe vermelha apenas começa sua trajetória como um dos protagonistas da Fórmula 1. Após ter falhado em disputar o título até o fim na atual temporada, Massa vai ter mais algumas oportunidades de chegar ao topo.

Vai conseguir? Não dá para saber. De qualquer forma, ele sabe que a Ferrari acredita no seu potencial. "Esse novo contrato mostra que a equipe confia em mim, e eu nela", disse Massa na entrevista de hoje. E está certo. Afinal, o time de Maranello investe nele desde o ano de 2001. Não seria hora de abandoná-lo logo agora.

Afinal, Massa está no último estágio rumo a se tornar um típico piloto de ponta.


Depois de acertar uma parceria com a categoria A1 GP, a Ferrari confirmou que também vai continuar fornecendo motores para duas outras equipes da Fórmula 1: Toro Rosso e Spyker. Nesta terça, o time de Maranello se comprometeu a ceder uma versão aperfeiçoada do propulsor às suas clientes na próxima temporada.

O acordo é bom para a Ferrari, que permanece tendo seis carros colhendo dados por corrida, e ótimo para Toro e Spyker, equipes sem a menor infra-estrutura para produzir seus próprios motores. Tudo bem que a fiabilidade do motor da atual temporada não foi das melhores. Mesmo assim, em termos de potência, um Ferrari é sempre um Ferrari.

Enquanto isso, as equipes da Fórmula 1 anunciaram mudanças no calendário de testes de 2008. Agora, cada time tem direito a quatro dias de testes sem restrições, desde que o piloto seja um novato sem muita experiência com carros da categoria. No formato atual, os estreantes levavam forte desvantegem, já que as poucas datas de ensaios coletivos limitavam suas chances.

Além disso, os testes passam a se estender de quarta a sexta, e não mais de terça a quinta, para que os pilotos tenham mais tempo de voltar dos Grandes Prêmios. No total, vão ser oito semanas de ensaios ao longo da temporada 2008, sem contar a pré-temporada. Parece bastante, mas não é nada perto do que acontecia até pouco tempo.

Pelo menos em relação aos testes, as equipes conseguiram cortar custos.


Uma ótima notícia para os brasileiros que acompanham a Fórmula 1: o Grande Prêmio de Cingapura, que faz sua estréia na categoria no ano que vem, vai ser noturno mesmo. Nesta terça, os organizadores da prova confirmaram a contratação de uma empresa italiana para instalar nada menos que 1500 refletores ao redor do circuito.

Não entendeu a vantagem ainda? É simples: no horário normal, a corrida de Cingapura seria às 2 ou 3 horas da madrugada de Brasília. Caso a prova seja noturna, porém, a largada passa para as 8 ou 9 da manhã aqui no Brasil, do jeito que a gente gosta.

Para os brasileiros, a notícia representa um grande alívio. A partir de 2010, serão nada menos que seis Grandes Prêmios - um terço do campeonato - disputados na madrugada do Brasil: Austrália, Malásia, Japão, China, Índia e Coréia do Sul. Com Cingapura, ao menos, não precisamos mais nos preocupar.

Agora, resta torcer para que os demais países situados no outro lado do mundo também realizem suas corridas à luz da lua. O G.P. da Austrália, por exemplo, já manifestou essa vontade. É verdade que iluminar circuitos como o de Xangai, na China, e o de Sepang, na Malásia, vai custar bastante.

Nada que Bernie Ecclestone, porém, não consiga tirar dos organizadores...


O vídeo do dia continua o aquecimento para o Grande Prêmio do Brasil do próximo domingo. Dessa vez, as imagens mostram um momento de genialidade de Ayrton Senna: sua pole position na edição de 1994 da prova, naquela que seria sua última participação à frente da torcida brasileira. A dica é do amigo Guilherme:



Nesta quarta, o Blog volta com a seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix, destacando o número quarto da lista dos Dez Acidentes Mais Espetaculares da História. E, ao longo do dia, comentários sobre as principais notícias do mundo da velocidade. Até amanhã!

Crédito das fotos:

Confirmado: Felipe Massa fica na Ferrari até 2010

A Ferrari enterrou definitivamente os boatos de seu suposto interesse em Fernando Alonso ao renovar com Felipe Massa até o fim da temporada de 2010. O novo acordo entre o brasileiro e a equipe vermelha foi anunciado hoje de manhã, num comunidado distribuído à imprensa pelo time de Maranello.

Pelo que consta, Massa assinou seu novo contrato com a Ferrari há duas semanas, mas a equipe esperou a proximidade do Grande Prêmio do Brasil para divulgar a notícia. Em sua primeira declaração oficial após a renovação, o piloto brasileiro ressaltou o "gesto bacana e o carinho da Ferrari". Na tarde desta terça, ele passa por uma entrevista coletiva, sobre a qual falaremos à noite.

Em dois anos com a Ferrari, Massa venceu cinco corridas e cravou oito pole positions. Apesar disso, foi o único dos quatro protagonistas da atual temporada a sair da batalha pelo título antes da última corrida. De qualquer forma, respaldado pelo enorme potencial e pela forte ligação com a Ferrari, Massa teve seu contrato renovado.

Nada mais merecido. Embora contestado por parte da imprensa, o piloto brasileiro mostrou uma evolução notável em 2007. Pode até estar um pouco abaixo do trio de ferro da Fórmula 1 - Hamilton-Alonso-Raikkonen - mas tem totais condições de se igualar aos três num futuro próximo. Na Fórmula 1 atual, Massa não fica a dever a mais ninguém.

Ao renovar com o brasileiro, a Ferrari confirma sua tendência na última década: garantir a estabilidade de sua dupla de pilotos. Além de Massa, Kimi Raikkonen também está assegurado por um bom tempo: até o fim de 2009. De fato, o apoio da equipe é uma tranqüilidade necessária para seus titulares, já submetidos a uma intensa e contínua pressão da mídia italiana.

Agora, fica a pergunta: será que Massa tem condições de brigar pelo troféu de campeão nos próximos anos? Em tese, sim. Mas o brasileiro ainda precisa melhorar em alguns aspectos, como sua incapacidade de vencer corridas em situações adversas. Por enquanto, ele só ganhou provas em que largou da pole e liderou de ponta a ponta, sem maiores percalços.

Se quiser um título, Massa precisa urgentemente superar essa limitação.

Crédito das fotos: www.gpupdate.net

Os 10+ do Blog F1 Grand Prix: Os Dez Acidentes Mais Espetaculares da História - Número Cinco

Continuamos, hoje, nossa saga pelas maiores pancadas da história da Fórmula 1. Em semana de aquecimento para o Grande Prêmio do Brasil, nada melhor do que um acidente que ficou marcado na trajetória da prova. Sem perder mais tempo, vamos continuar:

10.Martin Brundle - Austrália/1996
9. Christian Fittipaldi - Itália/1993
8. Derek Warwick - Itália/1990
7. Andrea de Cesaris - Áustria/1985
6. Luciano Burti - Alemanha/2001
QUINTO COLOCADO - Jos Verstappen, Eddie Irvine, Martin Brundle e Eric Bernard - Grande Prêmio do Brasil de 1994

Batidas espetaculares nem sempre têm um só protagonista. Na pancada em evidência hoje, nada menos do que quatro carros envolveram-se num espetacular acidente, já na metade do Grande Prêmio do Brasil de 1994. Foi uma verdadeira "carambola", como costumam dizer em Portugal. Essa não podia ficar de fora da lista.

No começo de 1994, quando a Fórmula 1 chegou a Interlagos (à direita) para a abertura daquela temporada, ninguém poderia imaginar como o ano seria terrível para a Fórmula 1. A temporada seria recheada de acidentes graves. Em alguns, os pilotos saíram ilesos ou com pequenos ferimentos. Duas vezes, porém, os acidentados não tiveram muita sorte.

As regras haviam mudado e a supremacia da Williams já não era realidade, embora poucos já soubessem disso. Entre as inovações do regulamento, estavam a limitação da eletrônica dos carros e a volta dos pit stops. Como sempre, muitas eram as perguntas e previsões antes da temporada começar.

No treino de classificação para o Grande Prêmio do Brasil de 1994, Ayrton Senna fez a pole position com um tempo de 1:15.962s. Um ano antes, na mesma corrida, Alain Prost havia largado de primeiro com uma volta de 1:15.866s. Os carros, sem dúvida alguma, estavam mais lentos.

Quando alinharam no grid de largada, quatro pilotos mal podiam imaginar que a corrida de cada um deles acabaria no mesmo instante. O mais bem colocado do grupo era Jos Verstappen, em nono, que fazia sua estréia na Fórmula 1. Contratado como piloto de testes da Benetton, o jovem holandês havia caído numa fogueira quando o titular, J. J. Lehto, sofreu um grave acidente na pré-temporada.

Sem conseguir arranjar substituto melhor, a Benetton optou por promover Verstappen, escalado para disputar as duas provas iniciais da temporada. O problema é que o holandês não tinha a menor experiência com carros de Fórmula 1. Estrear logo por uma equipe de ponta seria um desafio gigantesco para o jovem piloto.

Sete posições atrás de Verstappen no grid estava Eddie Irvine, o futuro "culpado" pela pancada da volta 35. Com apenas duas corridas na bagagem, o irlandês já era bastante conhecido no paddock por seu jeito irreverente e pilotagem ousada até demais. Para a temporada de 1994, ele era uma aposta da Jordan, ao lado do brasileiro Rubens Barrichello.

Terminando as rápidas apresentações, falta citar apenas os dois coadjuvantes da "carambola": Martin Brundle e Eric Bernard. O primeiro, um veterano que já corria na Fórmula 1 há dez anos e fazia sua estréia na McLaren, substituindo o ex-rival da época de Fórmula 3 Inglesa, Ayrton Senna. Do francês, não há muito o que falar. Piloto obscuro, teve no acidente um dos momentos mais famosos da carreira.

O Grande Prêmio do Brasil começou sem nenhum grande acidente. Até a metade da corrida, alguns pilotos abandonaram por rodadas, mas não houve ocorrências graves. Tudo mudou na volta 35, quando quatro pilotos bateram ao mesmo tempo, no fim da reta oposta, num dos acidentes mais espetaculares da história.

Nessa altura, Martin Brundle era o sétimo, seguido de perto por Eddie Irvine e Jos Verstappen. Entre eles, estava o inocente e retardatário Eric Bernard. O holandês da Benetton pressionava o irlandês da Jordan, sem conseguir achar uma maneira de ultrapassar. Quando viu uma oportunidade, escolheu o pior momento possível.

Verstappen entra colado em Irvine, que está logo atrás de Bernard. Mais à frente, Brundle tem um problema mecânico e diminui subitamente, no momento em que Verstappen abre para passar Irvine. Os dois ficam lado a lado quando em que alcançam a McLaren de Brundle. Tudo acontece rápido demais para ser evitado.

Bernard precisa diminuir para evitar o carro de Brundle. Percebendo a tirada de pé do francês, Irvine coloca por dentro para ultrapassá-lo. O problema é que Verstappen já estava ali. O holandês da Benetton ainda tenta evitar o toque, e até consegue. Mas põe duas rodas na grama e não segura o carro.

A Benetton roda e fica atravessada no meio da reta, justamente no ponto em que os pilotos chegam à maior velocidade. Irvine e Bernard são atingidos por Verstappen, que segue deslizando até acertar Brundle. Quando a Benetton bate na McLaren, voa e capota de maneira sensacional, enquanto os outros carros saem rodando pela pista.

Bernard sai para a direita da pista e some da tela. Irvine e Brundle rodam e ficam com os carros parados na Descida do Lago. O irlandês, aliás, receberia depois uma suspensão de três corridas por ter causado a pancada. Verstappen, por sua vez, pára com a Benetton completamente destruída na área de escape, sortudo por ter saído inteiro da pancada. Outros pilotos, ao longo de 1994, não teriam a mesma sorte.

Além de J. J. Lehto, Pedro Lamy e Jean Alesi também sofreriam graves acidentes, precisando perder parte da temporada. Nada comparado, porém, com os destinos trágicos de Roland Ratzemberger e Ayrton Senna no G.P. de San Marino. O ano foi triste para o esporte, e ficaria marcado para sempre por causa de seus acidentes. Aquele de Interlagos, ao menos, foi espetacular sem fazer vítimas.

Por ter envolvido quatro carros numa batida - fato raríssimo se excluirmos as largadas de corrida - pelo giro no ar praticamente perfeito de Jos Verstappen e por ter sido, talvez, a maior pancada da história do G.P. Brasil, a "carambola" de Verstappen, Eddie Irvine, Martin Brundle e Eric Bernard leva o quinto lugar na lista dos Dez Acidentes Mais Espetaculares da História.

A seguir, o vídeo da pancada:



A seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix volta amanhã, com o número quatro da nossa lista. E hoje, ao longo do dia, comentários sobre as principais notícias do mundo da velocidade. Até mais!

Crédito das fotos:
Número Cinco - www.dkimages.com
Interlagos - Site oficial do 36º Grande Prêmio do Brasil - www.gpbrasil.com.br
Acidente I a IV - www.youtube.com