sábado, 1 de dezembro de 2007

Jornais espanhóis batem cabeça ao discutir futuro de Alonso

Fernando Alonso não dá nenhuma declaração à imprensa desde o início de novembro, quando anunciou seu desligamento da McLaren. Desde então, o bicampeão entrou de férias, mas continua dominando tranqüilamente o noticiário da Fórmula 1. Mérito principal, é claro, da imprensa espanhola, que a cada dia perde um pouquinho mais da sua credibilidade.

Vamos tomar o dia de hoje como exemplo. Construindo suas reportagens somente com suposições, os diários As e Marca traçam dois panoramas bastante diferentes para Alonso. Na verdade, porém, as duas matérias são muito semelhantes: ambas não passam de mera especulação. Como jornal é vendido todo dia, os "especialistas" precisam escrever sobre alguma coisa.

A tese do As é a seguinte: Fernando Alonso está começando a ceder na exigência de um contrato longo, que emperrou suas negociações com a Renault, e tem duas opções para 2008. Além da própria Renault, a Toyota também seria candidata a contar com o bicampeão. Tirando o delírio de indicar o time nipônico como interessado no espanhol - a Toyota já assinou com Timo Glock e Jarno Trulli, lembram-se? - a reportagem do As até faz algum sentido.

Afinal, não seria surpresa alguma se Alonso desistisse do contrato curto, que ele tanto deseja. Nessa altura, o espanhol não tem outra escolha mesmo. Mas aí vem a pergunta: será que tudo não passa de um tremendo chute do jornalista do As? Qual foi a fonte usada para produzir a matéria? Nenhuma, certamente. Talvez, a tese central da reportagem não seja mais do que a opinião pessoal do "especialista"...

O mesmo pode-se afirmar do Marca. Só que, nesse caso, a aposta é diferente e ainda mais mirabolante: Fernando Alonso não descarta a Renault, mas está perto da Red Bull. Sim, logo da Red Bull, a equipe que negou interesse no bicampeão há apenas alguns dias! Pelo visto, o time das bebidinhas vai precisar se pronunciar de novo. Caso contrário, corre risco dos jornais interpretarem o silêncio da maneira errada.

A novela "Para onde vai Fernando Alonso?" já encheu. Durante mais um tempo, porém, ela vai continuar rendendo. Na última semana, o empresário do bicampeão, Luis Garcia Adab, garantiu que uma decisão seria tomada antes do Natal. Em cerca de vinte dias, portanto. Parece um prazo até curto. Mas, considerando o "apetite" dos jornais espanhóis, ainda dá tempo para que Alonso seja ligado à Super Aguri, Force India, Toro Rosso...

Não duvide que isso vá acontecer.


E, como no início de cada pré-temporada, a Toyota adota o famoso discurso do "agora vai". Dessa vez, o otimista é o alemão Timo Glock, recém-contratado como titular da equipe japonesa para 2008. Em suas palavras, "a Toyota tem todos os elementos para se tornar vencedora". Isso todo mundo já sabe: dinheiro e estrutura sobram no time vermelho e branco. Só falta competência...

De maneira oposta, a BMW deu uma bela demonstração de capacidade na última temporada da Fórmula 1. O vice-campeonato no Mundial de Construtores, aliás, surpreendeu até o alemão Nick Heidfeld, piloto principal da equipe. A declaração de Heidfeld é até engraçada: "Nunca esperei que fizéssemos tanto sucesso. Foi uma grata surpresa derrotar a Renault". Em 2008, porém, a tarefa da BMW é ainda mais difícil.

Afinal, uma vitória é o mínimo que se espera da equipe alemã. Será que a BMW chega lá? Por enquanto, é cedo demais para dizer. Mas o time de Mario Theissen já vai se preparando para a próxima temporada. Nos ensaios de Jerez, daqui a alguns dias, a BMW deve avaliar o espanhol Javier Villa e o estoniano Marko Asmer, candidatos ao cargo de piloto de testes. O escolhido será fundamental no processo de desenvolvimento da equipe.

Para terminar o giro pelas notícias da Fórmula 1, vale mencionar o casamento de Felipe Massa com a empresária Raffaela Bassi, que aconteceu ontem, em São Paulo. Um episódio lamentável, porém, roubou um pouco dos holofotes: uma suposta agressão de Rubens Barrichello a um cinegrafista da RedeTV, que teria empurrado a mulher de Rubinho. Difícil julgar o que realmente aconteceu.

Mas, para alguém que já sofreu com todo tipo de provocação, não parece que Rubinho perderia a cabeça assim com qualquer coisa.


Os veteranos Andreas Mattheis/Xandy Negrão saíram na frente na rodada dupla de São Paulo da GT3 Brasil, que decide o título da temporada inaugural da categoria. Pilotando um Dodge Viper, Mattheis/Negrão cravaram hoje as duas poles para as baterias deste domingo. Ao mesmo tempo, Paulo Bonifácio/Luciano Burti, com um Lamborghini Gallardo, repetiram a segunda posição em ambos os treinos classificatórios.

Na primeira classificação, Mattheis/Negrão viraram 1:36.386s, superando Bonifácio/Burti em quase sete décimos. Em terceiro, vêm Guto Negrão/Renato Casagrande, em outro Dodge Viper. A seguir, completando so cinco primeiros, aparecem duas duplas com Ferrari 430: Rafael Derani/Alencar Jr. e Giuliano Losacco/Renato Cattalini.

Algumas horas depois, os carros voltaram à pista para o segundo ensaio classificatório. Dessa vez, Mattheis/Negrão melhoraram seu tempo em dois décimos, mais uma vez deixando Bonifácio/Burti para trás. Na seqüência, fechando o grupo dos líderes, Carlos Crespo/Roberto Moreno, Walter Derani/Cláudio Ricci e Losacco/Cattalini formam um esquadrão de Ferrari 430.

Líderes do campeonato com 63 pontos, Andreas Mattheis/Xandy Negrão são a aposta do Blog para o título da temporada 2007 da GT3 Brasil. A solitária ameaça para a dupla de veteranos é Paulo Bonifácio, que soma 57. Vale lembrar que, até a última etapa, Boni corria com Alceu Feldmann, mas desmanchou a parceria antes da rodada dupla de São Paulo.


Aproveitando o clima das 500 milhas da Granja Viana, o vídeo do dia é um compacto de dez minutos da prova do ano passado, que terminou com a vitórias dos azarões da MG Polipetro/BV Financeira. A largada para a corrida deste ano, aliás, é daqui a pouco, à meia-noite de sábado para domingo. Se você ainda não sabe se vale a pena ficar acordado, dê uma conferida no vídeo. Sua dúvida vai desaparecer rapidinho:



Neste domingo, o Blog volta comentando as atividades das 500 milhas da Granja Viana, da GT3 Brasil e do Mundial de Rally. Até amanhã!

Crédito das fotos:
Fernando Alonso, Timo Glock e Javier Villa - http://www.motorsport.com/

Sebastien Loeb pertinho do tetracampeonato no Mundial de Rally

Sebastien Loeb está com o título da temporada 2007 do Mundial de Rally nas mãos. Faltando apenas um dia para o fim do Rally da Grã-Bretanha - etapa que encerra o campeonato deste ano - o francês da Citröen continua se mantendo numa segura terceira posição. O resultado é suficiente para que Loeb confirme seu quarto troféu de campeão consecutivo, derrotando seu rival Marcus Grönholm.

Por enquanto, o líder do Rally da Grã-Bretanha é o azarão Mikko Hirvonen, que já não tem chances de título. A Ford vem fazendo a dobrinha, com Grönholm em segundo. Por sua vez, Loeb vem num tranqüilo terceiro, com uma vantagem confortável para o melhor piloto da Subaru - Petter Solberg - o quarto. Vale lembrar que Loeb precisa apenas de um quinto lugar para levar seu tetracampeonato.

Na seqüência, Daniel Sordo, Chris Atkinson, Matthew Wilson e Manfred Stohl completam a zona de pontuação. O sábado do Rally da Grã-Bretanha ficou marcado pelo forte acidente de Andreas Mikkelsen, que vinha em décimo na classificação geral. Por causa de um erro, o norueguês capotou de maneira espetacular. Seu carro ficou destruído, mas nem Mikkelsen nem seu co-piloto não se machucaram.

Apesar de tudo, o grande destaque do dia foi Jari-Matti Latvala. Após perder muito tempo na sexta, o finlandês venceu seis estágios consecutivos neste sábado e voltou a lutar pelos pontos. Mesmo assim, ele ainda está em 12º. Na noita de hoje, os pilotos disputam uma chamada "superespecial", numa pista montada na cidade de Cardiff. Depois, o Rally da Grã-Bretanha termina amanhã com mais quatro estágios.

Também neste fim de semana, a FIA divulgou as datas da temporada 2008 do Mundial de Rally. No geral, a entidade não fez nenhuma mudança significativo em relação ao pré-calendário que já havia sido divulgado há algumas semanas. Contrariando a vontade das equipes, o Rally do México foi mantido para o ano que vem, apesar dos problemas de organização.

Em relação à temporada atual, foram cinco mudanças: saem Noruega, Portugal e Irlanda, para a entrada de Jordânia e Turquia. Dessa forma, o Mundial de Rally perde uma etapa e passa a ter somente quinze em 2008. O objetivo da FIA é dimunuir ainda mais este número nos próximos anos, para "cortar custos". Como se vê, não é só na Fórmula 1 que a entidade faz suas "invenções".

A seguir, o resultado parcial do Rally da Grã-Bretanha,

1. Mikko Hirvonen/Finlândia/Ford, 2h15:23.3s
2. Marcus Grönholm/Finlândia/Ford, a 35.7s
3. Sebastien Loeb/França/Citröen, a 1:14.7s.s
4. Petter Solberg/Noruega/Subaru, a 2:26.1s
5. Daniel Sordo/Espanha/Citröen, a 2:56.2s
6. Chris Atkinson/Austrália/Subaru, a 5:49.3s
7. Matthew Wilson/Inglaterra/Ford, a 5:56.3s
8. Manfred Stohl/Áustria/Citröen, a 6:54.6s

Logo abaixo, o calendário da temporada 2008 do Mundial de Rally

25 a 27/01 - Rally de Monte Carlo
08 a 10/02 - Rally da Suécia
29/02 a 02/03 - Rally do México
28 a 30/03 - Rally da Argentina
25 a 27/04 - Rally da Jordânia
16 a 18/05 - Rally da Itália
29/05 a 01/06 - Rally da Grécia
13 a 15/06 - Rally da Turquia
01º a 03/08 - Rally da Finlândia
15 a 17/08 - Rally da Alemanha
29 a 31/08 - Rally da Nova Zelândia
03 a 05/10 - Rally da Espanha
10 a 12/10 - Rally da França
24 a 26/10 - Rally do Japão
28 a 30/11 - Rally da Grã-Bretanha

Até o fim do dia, o Blog volta comentando as atividades da GT3 Brasil e as principais notícias do dia. Nos vemos por aí!

Crédito das fotos: www.rally-live.com

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Resumo da sexta-feira

Assim como no ano passado, deu zebra na classificação das 500 milhas da Granja Viana. Desbancando os favoritos, a equipe Win Brasil - formada por André Nicastro, Mario Romancini, Felipe Lapenna, Sergio Jimenez, Pedro Rodrigues, Beto Monteiro e Galid Osman - marcou hoje a pole position para a prova. Dos nomes conhecidos, o melhor colocado é Felipe Massa, que larga em terceiro, ao lado de João Paulo Bertucelli e Ruben Carrapatoso.

Com Nicastro pilotando, a Win Brasil foi a única equipe a virar na casa de 56 segundos. Em segundo, veio a Targh500/Dolly, liderada por Pedro Gomes, da Stock Car. Felipe Massa colocou seu time em terceiro no grid, enquanto os demais favoritos ficaram mais para trás. Nelsinho Piquet, que corre em duas equipes diferentes, sai de sexto e oitavo. Por sua vez, o forte trio formado por Christian Fittipaldi/Vitor Meira/Mario Haberfeld aparece em 12º.

Os hexacampeões Rubens Barrichello e Tony Kanaan - outros que estão inscritos em mais de um time - não passaram de 13º e 15º. Apesar disso, o Blog continua apostando nos dois para a vitória. Agora, a turma reunida na Granja Viana dá uma parada nas atividades de pista para comparecer ao casamento de Felipe Massa, marcado para a noite desta sexta. A largada das 500 milhas da Granja Viana será à meia-noite de sábado para domingo, com transmissão da Band.

Enquanto isso, a GT3 Brasil realizou hoje os primeros treinos livres da rodada dupla de Interlagos, que encerra a temporada 2007 da categoria. Correndo em parceria com Luciano Burti, num Lamborghini Gallardo, Paulo Bonifácio foi o mais rápido do dia. Ele superou as Ferrari F430 de Renato Cattalini/Giuliano Losacco e Carlos Crespo/Roberto Moreno, que vieram logo a seguir.

Rival de Bonifácio na luta pelo título, a dupla Andreas Mattheis/Xandy Negrão finalizou em quarto, com seu Dodge Viper. Na seqüência, completando os cinco primeiros, apareceram Alencar Jr./Rafael Derani, de Ferrari 430. Amanhã, a GT3 volta à pista para definir os grids de largada para as provas de domingo, que decidem o campeão da temporada inaugural da categoria.

Após correr o campeonato inteiro em dupla com Alceu Feldmann, Paulo Bonifácio desfez a parceria e disputa sozinho o título contra Andreas Mattheis/Xandy Negrão. Por enquanto, a vantagem é dos pilotos do Dodge Viper, que somam 63 pontos. Boni, porém, está logo atrás, com 57. Pelo visto, seu Lamborghini Gallardo parece mais rápido do que o Viper de Mattheis/Negrão.

O problema é que o Gallardo não inspira tanta confiança quanto o Viper. Se sofrer uma quebra, Boni entrega o título de bandeja para os veteranos Mattheis/Negrão.


Nem Sebastien Loeb e nem Marcus Grönholm. No primeiro dia do Rally da Grã-Bretanha - o última da temporada 2007 do Mundial de Rally - quem terminou em primeiro na tabela de tempos foi Mikko Hirvonen, o grande coadjuvante do ano. Fora da briga pelo título, Hirvonen superou os protagonistas Grönholm e Loeb para liderar a sexta-feira com tranqüilidade.

No total, sua vantagem chegou a 39 segundos, uma eternidade para um dia apenas de competição. Precisando vencer e torcer para que Loeb não passe de quinto, Grönholm fechou o dia na segunda posição e viu suas esperanças de título diminuírem ainda mais. Isso porque Loeb manteve-se num seguro terceiro lugar, sem dar mostras de ceder à pressão.

Ao que parece, o campeonato está nas mãos do francês da Citröen. Se não cometer nenhum erro grave, Loeb deve confirmar o título sem maiores dificuldades. Por enquanto, sua distância para o quarto colocado no Rally da Grã-Bretanha, o norueguês Petter Solberg, já é de quase quarenta segundos. E, pelos próximos dois dias de atividades, só tende a aumentar.

Atrás de Solberg, o espanhol Daniel Sordo vem numa solitária quinta posição, longe de ser incomodado pelo inglês Matthew Wilson, o sexto. Logo a seguir, completando a zona de pontuação, aparecem o australiano Chris Atkinson e o austríaco Manfred Stohl. O Rally da Grã-Bretanha continua amanhã e termina no domingo, quando será finalmente conhecido o campeão da temporada 2007 do Mundial de Rally.


O noticiário da Fórmula 1 foi bastante sem-graça nesta sexta. De relevante, apenas, a resposta que Giancarlo Fisichella deu a Bernie Ecclestone, após ter sido duramente criticado pelo chefão da FOM ao longo da semana. Em comunicado distribuído à imprensa, o italiano garantiu: "Ainda posso ser competitivo". A Fisichella, porém, parece ter restado apenas uma opção para 2008: a Force India. E no time indiano, convenhamos, nem Michael Schumacher faria milagre...

Além disso, vale registrar uma reportagem do jornal Marca que cogita o espanhol Javier Villa como piloto de testes da BMW para o ano que vem. Sexto colocado na GP2 em 2007, Villa é um novato de bastante potencial, mas enfrenta uma dura concorrência pela vaga. Além dele, Niko Hulkenberg e Christian Vietoris - ambos alemães como a BMW - e o holandês Robert Doornbos também são candidatos declarados ao cargo.

Enquanto isso, a Audi anunciou a renovação dos contratos de seus principais pilotos para a próxima temporada da DTM. Atual campeão da categoria, o sueco Mattias Esktröm segue com a montadora de Ingolstadt, juntamente com os alemães Martin Tomczky e Timo Scheider e o dinamarquês Tom Kristensen. No mesmo comunidado, aliás, a Audi ressalta a vontade de continuar em "competições que mantenham estreita ligação com carros de rua". Fórmula 1, portanto, parece fora de questão.

Por fim, é preciso mencionar que outro time de futebol brasileiro deseja se aventurar no automobilismo. Após o Flamengo confirmar participação na recém-criada Fórmula Superliga, o São Paulo manifestou interesse em ligar sua marca à Stock Car. Pelo visto, o plano é renomear uma equipe da categoria com o nome do clube. Por enquanto, Felipe Maluhy e Tarso Marques são os pilotos cotados para comandar a empreitada.

Será que vai virar moda? Bem que o meu querido Fluminense poderia fazer o mesmo. Piloto "nós" já temos: o bicampeão Cacá Bueno...


O vídeo do dia é uma pequena homenagem a Cristiano da Matta. Afastado das pistas desde agosto do ano passado - quando sofreu um acidente quase fatal num teste privado da ChampCar - o mineiro foi oficialmente liberado pelos médicos para voltar a correr. Para comemorar a notícia, divulgada nos últimos dias, as imagens a seguir mostram cenas de Cristiano plenamente recuperado, já dando entrevistas e até tocando violão:



Neste sábado, o Blog volta comentando as atividades das 500 milhas da Granja Viana, da GT3 Brasil e do Mundial de Rally, além das principais notícias do mundo da velocidade. Até amanhã!

Crédito das fotos:
André Nicastro - http://www.grandepremio.com.br/ (créditos para o fotógrafo Miguel Costa Jr., daagência MF2)
Paulo Bonifácio - http://www.gt3.com.br/

Cristiano da Matta dá mais detalhes sobre o seu retorno às pistas

Ausente das principais competições do automobilismo desde agosto de 2006 - quando sofreu um terrível acidente em testes da ChampCar em Elkhart Lake - Cristiano da Matta concedeu uma longa e esclarecedora entrevista ao jornal Lance! desta sexta. Como já havia adiantado semanas atrás, o mineiro confirmou que a sua volta às pistas deve ser mesmo em categorias de turismo. Por enquanto, a Grand-Am é a favorita.

"Estive num treino da categoria em Daytona, e encontrei vários amigos meus. O Max Papis (ex-piloto da ChampCar) me apresentou para muita gente da Grand-Am. Não estou nada decidido, mas penso em ir para esse lado de corrida mais longa", revelou Cristiano, que se disse "quase velhinho" para as corridas de fórmula. De acordo com o mineiro, a Le Mans Series e a American Le Mans Series são as suas outras principais opções.

A Stock Car Brasil também não está descartada: "Penso nela sim. Conheço muito o pessoal da Stock, mas o contato está um pouco devagar lá". Além de comentar o seu futuro, Cristiano fez um balanço dos momentos mais importantes de sua carreira. Falando sobre sua passagem pela Fórmula 1 - entre 2003 e 2004 - o mineiro admitiu uma certa frustação por não ter conseguido melhores resultados.

"Na Fórmula 1, você está correndo de Uno Mille contra um cara com um Golf GT1. Fiquei um pouco frustado com o meu período na Toyota. Queria ter me dado bem lá", disse Cristiano. Agora, o mineiro concentra seus esforços na preparação necessária para retornar às competições. Já oficialmente liberado pelos médicos, ele treina em simuladores para aprimorar os reflexos e ter uma noção de sua capacidade.

De início, Cristiano teve dificuldades para igualar seus tempos no computador, mas agora já bate todos os seus recordes. Será que o mineiro vai continuar tão rápido quanto antes? Ainda é cedo para dizer. Apesar do ótimo desempenho no simulador, Cristiano mantém uma certa cautela ao falar da sua volta: "Muita gente fala que depois de acidente você pode vir a perder velocidade ou habilidade. Estou ansioso para ver como eu vour me sentir dentro do carro".

A dúvida vai persistir por mais um tempo, já que Cristiano ainda não tem nenhum teste confirmado até agora. E se ele, de fato, estiver mais lento do que antes? O mineiro tem a resposta na ponta da língua: "Se eu voltar a pilotar e perceber que virei um bundão, vou falar assim: 'Estou de alta e não vou fazer mais nada' ".

Esse é o Cristiano da Matta que a gente conhece.

Crédito das fotos: http://www.motorsport.com/

Agenda do fim de semana (30 de novembro a 02 de dezembro)

O ano vai acabando e as atrações do mundo da velocidade ficam cada vez mais raras. Apesar disso, o próximo fim de semana tem algumas alternativas interessantes para o fã do automobilismo. Hora de conferir a sempre útil agendinha:

Sexta, 30 de novembro de 2007

Mundial de Rally: Primeiro dia do Rally da Grã-Bretanha

Sábado, 1º de dezembro de 2007

Mundial de Rally: Segundo dia do Rally da Grã-Bretabha

Domingo, 02 de dezembro de 2007

GT3 Brasil: Etapa de São Paulo
Kart: Largada das 500 milhas da Granja Viana à meia-noite de sábado para domingo
Mundial de Rally: Terceiro dia do Rally da Grã-Bretanha

Dessa vez, o destaque especial vai para as 500 milhas da Granja Viana, um evento único no calendário automobilístico nacional. Reunindo, ao mesmo tempo, feras consagradas e novatos bastante atrevidos, a prova é sempre imprevisível. Entre os principais favoritos, estão vários nomes conhecidos como Rubens Barrichello, Tony Kanaan, Felipe Massa, Nelsinho Piquet, Christian Fittipaldi e Vitor Meira.

Sem inventar muito, o Blog aposta justamente nos maiores vencedores da prova, os hexacampeões Rubens Barrichello e Tony Kanaan. Eles estão inscritos em em duas equipes diferentes. Na primeira, formam um quinteto com Lucas di Grassi, Felipe Giaffone e Renato Russo. Meu palpite, porém, vai para o segundo time, que tem uma escalação de peso: Rubinho, Tony, di Grassi, Antonio Pizzonia e Thiago Camilo.
Vale também prestrar atenção nos trios Felipe Massa/João Paulo Bertuccelli/Rubem Carrapatoso, Christian Fittipaldi/Vitor Meira/Maria Haberfeld e Nelsinho Piquet/Rodrigo Piquet/Clemente Faria Jr. Se qualquer uma dessas equipes vencer as 500 milhas, não seria nenhuma surpresa. Resta saber se algum grupo de kartistas amadores vai conseguir derrotar as estrelas, como Otávio Bonder/Antonio Francesco Ventre/Lucas Rodrigues/Bruno Pacetti/José Eduardo Ventre fizeram no ano passado.
Palpite do Blog para a corrida: Rubens Barrichello/Tony Kanaan/Antonio Pizzonia/Lucas di Grassi/Thiago Camilo

O fim de semana da velocidade vai ser mesmo agitado no Brasil. Em Interlagos, a GT3 Brasil encerra sua temporada inaugural, na prova que deve marcar as estréias de nomes de peso como Luciano Burti e Giuliano Losacco. Meus favoritos para o título são Andreas Mattheis/Xandy Negrão, que vêm liderando a tabela de pontos. Mas eles vão precisar derrotar a forte dupla formada por Burti/Paulo Bonifácio.
Palpites do Blog para as corridas: Andreas Mattheis/Xandy Negrão e Luciano Burti/Paulo Bonifácio
Palpite do Blog para o título: Andreas Mattheis/Xandy Negrão

Por fim, o Mundial de Rally encerra sua temporada na Grã-Bretanha, com o duelo final entre Sebastien Loeb e Marcus Grönholm. Ao francês, basta um quinto lugar para confirmar seu quarto campeonato consecutivo. Sendo assim, minha aposta para a vitória é Grönholm, que não tem nada a perder. Para o título, porém, fico com Loeb.
Palpite do Blog para a vitória: Marcus Grönholm
Palpite do Blog para o título: Sebastien Loeb

Ao longo do dia, o Blog volta comentando as principais notícias do mundo da velocidade. Até mais!

Crédito das fotos:
Rubens Barrichello - http://www.kartodromogranjaviana.com.br/500milhas2007/ (créditos para o fotógrafo Miguel Cappuccio)
Luciano Burti - www.stockcar.com.br
Sebastien Loeb - www.rally-live.com

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O boato do dia: Alonso na Honda em 2008

A novela "Para onde vai Fernando Alonso?" teve um novo e inesperado capítulo nesta quinta. Quando a ida do espanhol para a Renault já parecia iminente, a revista Sport Bil levantou uma hipótese que ainda não havia sido muito considerada: a Honda. De acordo com a publicação, Alonso teria passado um dia inteiro na fábrica do time nipônico, em Brackley, para fazer o molde do seu banco.

Além disso, a Sport Bil afirma ainda que o bicampeão tomaria o lugar de Rubens Barrichello na Honda. O brasileiro, por sua vez, seria "rebaixado" para a Super Aguri, como companheiro de Takuma Sato. Apesar de elaborada, a teoria não demorou a ser desmentida. Já no fim do dia, a Honda emitiu um comunicado oficial, negando de forma veemente qualquer tentativa de contratar Alonso.

"Fernando não visitou nossa fábrica. Aliás, nós já temos uma dupla confirmada para o ano que vem: Jenson Button e Rubens Barrichello", disse um porta-voz do time nipônico. De fato, a possibilidade de Alonso acertar com a Honda já havia sido pensada, mas nenhum veículo de imprensa fizera qualquer reportagem sobre o assunto. A Sport Bild se aventurou a cogitar a hipótese, mas ela é mais do que improvável.

Enquanto Alonso não define seu destino - o que deve ser feito "até o natal", segundo sua mais nova declaração - várias personalidades do mundo da velocidade sentem-se livres para palpitar sobre o seu futuro. O chefão da FOM, Bernie Ecclestone, por exemplo, declarou hoje à revista Auto Motor und Sport que Alonso seria uma contratação ideal para Toyota. Isso é verdade. O problema é o espanhol aceitar o desafio...

Ao mesmo tempo, o ex-patrão de Alonso, Ron Dennis, evitou qualquer declaração sobre o destino do bicampeão. Falando ao jornal El Tiempo, o principal dirigente da McLaren admitiu que a sua relação com Alonso não foi nada amistosa, mas salientou que nunca havia tido conflito semelhante com nenhum outro dos ex-pilotos da McLaren.

Segundo Dennis, a equipe agora já está focada em 2008. Depois disso, porém, o futuro é desconhecido. Já com sessenta anos de idade - sendo mais de quarenta de automobilismo - Dennis revelou pela primeira vez o desejo de se aposentar em alguns anos. Nas suas palavras, "esse é um meio que requer muito esforço e dedicação. Mas não sou o tipo de pessoa que desiste e entrega a toalha antes do fim do jogo".

Para quem acompanhou a trajetória de Dennis, sabe muito bem que isso é verdade.



A BMW liderou e o alemão Timo Glock vai fazer sua estréia pela Toyota na semana de testes de Jerez de la Frontera, marcada o início de dezembro. Já anunciado como titular do time nipônico em 2008, o atual campeão da GP2 deve dividir os trabalhos com o italiano Jarno Trulli e o recém-contratado no piloto de testes da Toyota, o japonês Kamui Kobayashi. Para Glock, será a primeira oportunidade de mostrar à sua nova equipe que o investimento valeu a pena.

Enquanto isso, o principal dirigente da Prodrive, David Richards, voltou a se manifestar hoje para garantir que a equipe permanece interessada em ingressar na Fórmula 1. "Ainda acredito que a categoria é o lugar certo para nós", afirmou Richards à revista Autosport. O problema é que o plano da Prodrive continua se baseando na compra de um chassis de outra equipe, uma idéia vista com muita discreção pelos chamados "times independentes".

Entre os que são contra a entrada da Prodrive na Fórmula 1 está ninguém menos do que Bernie Ecclestone. Numa declaração recente, o chefão da FOM foi curto e grosso: "Se você não é capaz de construir o seu carro, então não deveria estar na Fórmula 1". Um recado claro para a Prodrive, portanto. Se a equipe de David Richards não adaptar seu projeto, dificilmente consegue um lugar na principal categoria do automobilismo mundial.

Para terminar o giro pelas notícias da Fórmula 1, vale mencionar a declaração que o presidente do Indianapolis Motor Speedway, Joe Chitwood, concedeu à agência Bloomberg: "Acredito que a Fórmula 1 vai retornar em breve a Indy. Não há nada definido, mas estamos procurando um projeto que será bom para todos". Essa, sim, uma ótima notícia. Embora o circuito misto de Indianapolis não seja nada espetacular, a mística do autódromo compensa.

Fórmula 1 e Indianapolis foram feitos um para o outro. Só não descobriram isso ainda.



Uma notícia para os fãs da velocidade lamentarem bastante: após realizar apenas três etapas em sua curta história, a GP Masters foi oficialmente cancelada hoje, depois que a empresa responsável pela organização do campeonato entrou em estado terminal de falência. Até agora, Nigel Mansell havia vencido duas das provas de exibição dos veteranos, com Eddie Cheever conquistando o outro triunfo. Apesar de esperado, o fim prematuro da categoria é uma pena.

Em Sepang, a MotoGP concluiu mais uma semana de testes da pré-temporada. Dessa vez, o melhor do dia foi Daniel Pedrosa, da Honda. Companheiro de equipe do espanhol, o americano Nicky Hayden fechou em segundo, seguido por outro representante da terra das touradas: Jorge Lorenzo, da Yamaha. O heptacampeão Valentino Rossi sentiu uma lesão na virilha e antecipou o fim dos testes, ficando apenas em 11º. Por sua vez, o atual campeão Casey Stoner, por conta de uma queda sofrida ontem, nem foi à pista.

Encerrada sua maratona anual de 36 corridas, a Nascar realizou ontem seu tradicional desfile em Times Square, o ponto mais movimentado de Nova York. Vários pilotos da categoria passaream com seus carros para promover a Nascar, com o bicampeão Jimmie Johnson à frente. De acordo com os organizadores do evento, mais de 150.000 pessoas acompanharam as atividades.

Por fim, a GT3 Brasil anunciou mais uma reforço de peso: Luciano Burti. Pilotando um Lamborghini Gallardo, ele vai fazer sua estréia já no proximo fim de semana, em Interlagos, substituindo Alceu Feldmann como parceiro de Paulo Bonifácio. Outro que confirmou presença na etapa de São Paulo - a última da temporada inaugural da GT3 Brasil - foi o veterano Guto Negrão, que deve pilotar um Dodge Viper ao lado de Fábio Casagrande.

Pode ser cedo para falar isso, mas a GT3 parece estar se firmando como um boa opção no automobilismo nacional.



O vídeo do dia era para ser uma pequena homenagem à GP Masters, a simpática categoria de veteranos que durou apenas três corridas e foi oficialmente cancelada hoje. Infelizmente, as opções disponíveis na internet são muito limitadas. Sendo assim, fiquemos com um duelo sensacional entre Nigel Mansell e Emerson Fittipaldi - os dois protagonistas da GP Masters - numa etapa da antiga CART, em 1993. A emocionante disputa é narrada por Téo José:



Nesta sexta, o Blog volta com a seção Agenda do fim de semana, apresentando as principais atrações do fim de semana no mundo da velocidade. E, ao longo do dia, comentários sobre as notícias mais recentes do automobilismo. Até amanhã!

Crédito das fotos:
Bernie Ecclestone - www.postimees.ee

Vêm aí as 500 milhas da Granja Viana

Apenas uma semana depois de participarem do Desafio das Estrelas, Rubens Barrichello, Felipe Massa, Tony Kanaan e Nelsinho Piquet têm outro grande desafio pela frente: as 500 milhas da Granja Viana. A prova, que completa onze edições neste domingo, já teve seus primeiros treinos livres hoje, e deve atrair um público significativo à cidade de Cotia, no interior de São Paulo.

Os principais favoritos para a vitória já possuem seis triunfos no currículo, e nenhuma vontade de aliviar o pé do acelerador. Como de costume, Rubens Barrichello e Tony Kanaan vão fazer dupla na Granja Viana. Eles estão inscritos em duas equipes: na primeira, o veterano Renato Russo fecha a escalação, enquanto Ricardo Zonta e Antonio Pizzonia completam o quarteto do outro time.

Campeão da primeira edição da corrida - quando ainda estava muito longe de se tornar conhecido dentro e fora do Brasil - Felipe Massa quer ganhar pela segunda vez na Granja Viana. Dessa vez, seus companheiros vão ser João Paulo Bertuccelli (também integrante da equipe vencedora na prova inicial do evento, em 1997) e Rubem Carrapatoso, que tem no currículo um título mundial de kart.

Outro time fortíssimo é encabeçado por Christian Fittipaldi, três vezes vencedor da prova. Ex-companheiro de equipe de Rubens Barrichello e Tony Kanaan, Christian vai formar um trio de respeito com Vitor Meira, da IRL, e Mário Haberfeld, piloto com vasta experiência internacional. Uma vitória dessa equipe, portanto, não seria nenhuma surpresa.

Por fim, o último representante da turma "top" é Nelsinho Piquet, o único dos famosos que nunca triunfou na Granja Viana. Para quebrar o tabu, Nelsinho juntou-se a Clemente Faria Jr. - atual campeão da Fórmula 3 Sul-Americana - e ao seu primo Rodrigo Piquet. Juntos, os três somam nada menos do que oito títulos brasileiros de kart.

As atividades das 500 milhas da Granja Viana foram abertas ontem, com as primeiras sessões de treinos não cronometrados. Nesta quinta, o esquema é o mesmo: os pilotos vão para a pista entre as 9:00 e as 17:00, mas os tempos das voltas não devem ser divulgados para a imprensa. O treino classificatório será às 13:00 de amanhã, e corrida tem largada marcada para a meia-noite de sábado para domingo.

Como não deveria deixar de ser, o Blog vai acompanhar todas as atividades das 500 milhas da Granja Viana. A Band transmite a largada e a chegada da prova, enquanto a Bandsport mostra a prova toda. Até o fim do dia, o Blog volta comentando as principais notícias do dia. Nos vemos por aí!

Crédito das fotos: http://www.kartodromogranjaviana.com.br/500milhas2007/ (créditos para o fotógrafo Miguel Cappuccio)

Os 10+ do Blog F1 Grand Prix: Os Dez Maiores Pilotos Brasileiros da História - Número Oito

Continuamos, hoje, a última lista do ano da seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix. Voltando ao formato padrão - com apenas um "número" sendo apresentado por post - é hora de falar de um tema bastante polêmico: Os Dez Maiores Pilotos Brasileiros da História. Sem perder mais tempo, vamos prosseguir:

10. Gil de Ferran
9. Christian Heins
OITAVO COLOCADO - Ingo Hoffmann

O oitavo lugar é o mínimo que Ingo Hoffmann merece. Piloto extremamente competitivo e de caráter exemplar, este paulista de 54 anos continua em atividade até hoje, sendo o único dos chamados "dinossauros" a permanecer entre os líderes da Stock Car Brasil. Dono de um currículo simplesmente monstruoso, Ingo tem lugar cativo em qualquer lista dos maiores do esporte a motor nacional.

Sua trajetória tem início em meados da década de 70, quando ele começou a participar nas maravilhosas e extintas festas que os entusiasmados fãs do automobilismo promoviam no Autódromo de Interlagos. De início, Ingo não contava com a aprovação dos pais e, por isso, precisou esperar até o seu aniversário de 19 anos para fazer sua estréia nas competições.

Logo na primeira corrida, uma incrível demonstração de sua capacidade. Após não ter muita sorte no sorteio das posições do grid - afinal, realizar um treino classificatório no gigantesco circuito de Interlagos era inviável - Ingo alinhou numa distante 44ª posição. Mesmo sem a menor experiência, escalou o pelotão até terminar num inacreditável sétimo.

Não demorou muito e, é claro, seus desempenhos começaram a chamar atenção. Em 1973, o pai de Ingo resolveu apoiar a carreira do filho e conseguiu um patrocínio do Grupo Creditum. Ao mesmo tempo, Ingo venceu os campeonatos paulista e brasileiro na antiga Divisão 3, formada por carros de 1600cc.

O bicampeonato em ambos os certames veio em 1974, comprovando todo o talento de Ingo. O passo seguinte não poderia ser outro: a Europa. Ajudado por Wilsinho Fittipaldi, Ingo comprou um March 753-Toyota e disputou toda a temporada de 1975 da Fórmula 3 Inglesa. No fim, mais um ótimo resultado: sexto lugar na classificação geral, incluindo uma vitória arrasadora no difícil circuito de Oulton Park.

Sem pensar duas vezes, Wilsinho assinou contrato com Ingo para a temporada seguinte. O plano era simples: no segundo ano de participação da equipe Copersucar Fittipaldi na Fórmula 1, Wilsinho seria o piloto principal, enquanto Ingo usaria a oportunidade para ganhar experiência e, possivelmente, assumir a liderança do time mais tarde. Subitamente, a situação toda mudou.

Insatisfeito com a proposta de renovação de contrato da McLaren, Emerson Fittipaldi deixou a equipe inglesa e rumou para a Copersucar. Entendendo seu compromisso com Ingo, Wilisnho abriu mão de correr pela equipe. De qualquer maneira, a posição da Copersucar não era mais a mesma. Com Emerson comandando o time, a pressão por resultados seria infinitamente maior.

O campeonato de 1976 começou no Brasil, justamente em Interlagos. Correndo com o antigo chassis FD03, Ingo não passou de 20º no grid, entre 22 pilotos. Na corrida, porém, veio a surpresa: usando o conhecimento da pista, Ingo terminou em 11º, duas posições à frente de Emerson! Infelizmente, porém, o resultado não mudaria muito seu status dentro da Copersucar.

Recebendo uma assistência de segundo piloto e sem o conhecimento dos circuitos da Fórmula 1, Ingo falhou a classificação nos únicos três outros G.Ps. que disputou em 1976: Long Beach, Espanha e França. No ano seguinte, suas oportunidades ficaram resumidas apenas às duas primeiras corridas. Um abandono na Argentina e um ótimo sétimo lugar no Brasil foram o ponto final da curta carreira de Ingo na Fórmula 1.

Sem espaço na Copersucar, Ingo competiu na Fórmula 2 pelo resto de 1977 e em todo o ano seguinte. Como sempre, seus resultados foram admiráveis, especialmente em 1978, quando Ingo foi quinto no Europeu e campeão do Sul-Americano. Sua equipe, na época, era a Project Four, pertencente a um certo Ron Dennis. Apesar de tudo, Ingo não teve outra chance na Fórmula 1, e conscientemente voltou ao Brasil em 1979.

Exatamente neste ano, a Chevrolet inaugurava no país uma nova categoria: a Stock Car. Sem muita opção, Ingo estabeleceu-se no certame. Certamente, ele nem imaginava o sucesso que alcançaria na Stock. Logo no seu segundo ano, em 1980, veio o primeiro título. Depois, um pequeno intervalo até 1985, data de seu segundo troféu. A partir daí, Ingo comandou a categoria de maneira dominante.

Em 1988, o terceiro. Em 1989, o quarto. Em 1990, 1991, 1992, 1993 e 1994, o quinto, sexto, sétimo e oitavo títulos. Uma pequena parada em 1995, para mais um tri entre 1996 e 1998. Com o aumento da competitividade da Stock, Ingo viu sua hegemonia abalada, mas ainda venceria de novo em 2002 para fechar sua inacreditável conta: doze troféus de campeão. O 13º troféu, se bobear, ainda pode vir nas próximas temporadas...

Se não bastasse o domínio na Stock, Ingo ainda venceu a Mil Milhas Brasileiras em 2003, além de disputar com destaque o Rally dos Sertões e outras competições off-road nos últimos anos. Na corrida final da Stock em 2006, Ingo chegou à incrível marca de 100 vitórias no automobilismo nacional, contando todos os seus triunfos desde a Divisão 3, na década de 70. Um recorde certamente inalcançável.

Fora das pistas, Ingo também dá o seu exemplo. Com o Instituto Ingo Hoffmann, socorre crianças com câncer, fornecendo abrigo e acompanhamento escolar. De fato, um gesto magnífico e emocionante, digno de uma dos maiores nomes da história do esporte a motor nacional. Mesmo sem ter tido muito sucesso na Fórmula 1, a trajetória de Ingo Hoffmann é um exemplo para qualquer jovem que deseja seguir a carreira de piloto profissional.

Pela coleção de títulos absolutamente sensacional - afinal, seu recorde de doze campeonatos na Stock Car é praticamente imbatível - pelo exemplo de caráter e, principalmente, por confundir a sua história com a do próprio esporte a motor no Brasil, Ingo Hoffmann leva o oitavo lugar na lista dos Dez Maiores Pilotos Brasileiros da História.

Como de costume, o vídeo abaixo é uma homenagem ao personagem deste post. Nas imagens a seguir, Ingo demonstra sua habilidade única enquanto ensina técnicas de pilotagem numa BMW M6, em Interlagos. A qualidade do vídeo não é muito boa, mas vale a pena aproveitar a carona e as dicas de Ingo:



A seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix volta na próxima terça, apresentando o número sete da lista dos Dez Maiores Pilotos Brasileiros da História. E hoje, ao longo do dia, comentários sobre as principais notícias do mundo da velocidade. Até mais!

Crédito das fotos:
Número 8 - http://www.pt.inmagine.com/
Fotos 2 a 5 - www.f1rejects.com
Fotos 6 - www.elarranquedigital.com.ar/
Fotos 7 e 8 - www.ingohoffmann.org.br

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Pedro de la Rosa volta a entrar na briga pela segunda vaga da McLaren

Embora o finlandês Heikki Kovalainen continue sendo considerado o grande favorito na briga pela vaga disponível na McLaren, a disputa ainda está longe de terminar. Nesta quinta, o chefe do time prateado, Ron Dennis, concedeu uma longa entrevista ao jornal colombiano El Tiempo, e deu a entender que o piloto de testes da equipe, o espanhol Pedro de la Rosa, também tem chances.

"Não definimos nada e não temos pressa. O escolhido pode ser de la Rosa, mas nós temos muitas opções", falou Dennis. Pelo que vem sendo dito até agora, o mais provável é que a McLaren espere até janeiro para anunciar o companheiro de Lewis Hamilton. Sem espaço na Renault com a iminente chegada de Fernando Alonso, Heikki Kovalainen era o nome mais cogitado pela vaga, mas Pedro de la Rosa ainda pode surpreender.

Na internet, os fãs do espanhol já conseguiram juntar mais de oito mil assinaturas num abaixo-assinado pela sua contratação como titular da McLaren. É extremamente improvável que Ron Dennis vá sentir-se sensibilizado pela ação. Mesmo assim, o apoio dos torcedores é uma amostra do prestígio de Pedro de la Rosa. Ao contrário do que pensam alguns, o espanhol não é nenhuma "mosca morta".

A McLaren, aliás, também apareceu na imprensa hoje por conta de uma entrevista do todo-poderoso Bernie Ecclestone à revista alemã Auto Motor und Sport. De acordo com o presidente da FOM, existe, sim, a possibilidade da McLaren iniciar a próxima temporada da Fórmula 1 com uma penalização de pontos. Para que isso acontecesse, teria que ficar provado que o desenho do novo carro do time prateado é "inspirado" no da Ferrari.

"Espero que não, mas pode ocorrer", disse singelamente Ecclestone, sem se alongar muito no assunto. Na verdade, a inspeção que a FIA já está fazendo no modelo 2008 da McLaren dificilmente vai apontar alguma irregularidade. O objetivo principal, para a maioria dos especialistas, é criar um constrangimento para a equipe inglesa, como forma de "punir" a McLaren por todos os episódios extra-pista da última temporada.

Além de comentar a situação do time de Ron Dennis, Ecclestone também falou sobre o calendário da Fórmula 1: "Considero 18 um bom número de provas. Correríamos na Índia, e provavelmente também na Coréia do Sul e na Rússia. Sobre o ano que vem, penso que um G.P. à noite em Cingapura seria fantástico. E em Valência também, já que a pista é fantástica."

Cheio de planos, esse Ecclestone. Ainda bem que o Brasil, quietinho, quietinho, conseguir manter sua corrida a salvo no calendário...


A Force India anunciou hoje sua "seleção" para os testes coletivos de Jerez de la Frontera, marcados para os dias 4 a 7 de dezembro. Com duas vagas ainda em aberto, o time indiano é praticamente a última chance daqueles que ainda não têm um cockpit para o ano que vem. O alemão Adrian Sutil é um desfalque importante na "escalação". Pelo visto, porém, ele já está mesmo garantido para 2008.

Os outros vão ter de suar. Segue aí a lista dos sete "convocados": Christien Klien, Vitantonio Liuzzi, Franck Montagny, Giedo van der Garde e Roldán Rodriguez, além dos veteranos Ralf Schumacher e Giancarlo Fisichella. Nessa briga acirrada, meu chute é que Klien leva a melhor. Mas nada está definido ainda. Certo, mesmo, é que a Force India anuncia seus pilotos logo após os testes de Jerez, provavelmente numa coletiva de imprensa em Mônaco.

Também hoje, o jornal Bild divulgou o cronograma da Ferrari para os ensaios de Jerez. No geral, apenas uma grande surpresa: Michael Schumacher e Kimi Raikkonen não vão mais andar juntos, como havia sido programado antes. Agora, o finlandês vai trabalhar nos dois primeiros dias de atividades, enquanto o alemão só entra na pista nos dois últimos. O piloto de testes da Ferrari, Marc Gené, deve acompanhar Raikkonen. Por outro lado, o parceiro de Schumi não foi confirmado.

Tudo leva a crer, portanto, que a Ferrari temeu um confronto entre Raikkonen e Schumacher. Se o heptacampeão batesse o finlandês, como fez com Massa há algumas semanas em Barcelona, o mal-estar na equipe vermelha seria muito grande. Melhor convocar o esforçado Luca Badoer, eterno piloto de testes da Ferrari. Provavelmente, será o italiano o parceiro de Schumacher nos testes de Jerez.

Na disputa entre os dois, Schumi ganha de olhos fechados...


O alerta é do Speeder, que escreve o excelente Continental Circus: perto de ser colocado à venda pelo governo português, o histórico Autódromo do Estoril pode ser virar alvo de especulação imobiliária e deixar de existir nos próximos anos. Ao que parece, a ameaça é real, embora encontre forte resistência na Câmara Municipal de Cascais, onde fica localizada a pista.

Indignado com a possibilidade de ver o autódromo desaparecer, um vereador resolveu colocar um abaixo-assinado na Internet contra a venda do Estoril. Segundo foi divulgado, são necessárias quatro mil assinaturas para que a questão seja levada à Assembléia Nacional. Em apenas alguns dias, a contagem já está na casa de 3300. Se você estiver interessado em inserir o seu nome, clique aqui.

Enquanto isso, a MotoGP realizou mais uma dia de testes em Jerez de la Frontera. O mais rápido desta quarta foi Daniel Pedrosa, da Honda. Na seqüência, vieram o italiano Valentino Rossi, da Yamaha, e o japonês Shinji Nakano, da Honda Gresini. A principal notícia do dia, porém, foi a queda do atual campeão Casey Stoner, que vinha dominando os ensaios de pré-temporada. O australiano machucou o ombro e deve ser poupado das atividades de amanhã.

Por fim, vale mencionar a vitória do brasileiro Helio Castroneves no "Dancing with de Stars", programa de enorme sucesso na televisão norte-americana. Em dupla com a dançarina profissional Julianne Hough, Helinho derrotou a cantora Mel B, das Spice Girls, nos votos do público e na opinião dos jurados. A participação no concurso, aliás, custou o noivado de Helinho.

Pelo visto, ele e Julianne - sua parceira na competição - ficaram "amigos" demais.



O vídeo do dia é uma espetacular dica do amigo Speeder, do Continental Circus. As imagens a seguir são divididas em duas partes: na primeira, é feita uma sensacional edição com cenas da temporada 2007 do Mundial de Rally, com destaque especial para os dois protagonistas do ano: Sebastien Loeb e Marcus Grönholm. Depois, o vídeo passa a mostrar filmes antigos e belíssimos do tradicional Rally da Grã-Bretanha, marcado para o próximo domingo. Conferida obrigatória:



Nesta quinta, o Blog volta com a seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix, apresentando o número oito da lista dos Dez Maiores Pilotos Brasileiros da História. E, ao longo do dia, comentários sobre as principais notícias do mundo da velocidade. Até amanhã!


Crédito das fotos:
Estoril - http://www.continentalcircus.blogsport.com/

Depois de Nelson Piquet, novo reforço da GT3 Brasil pode ser Nigel Mansell

Sim, você não leu errado o título. Parece inacreditável, mas o inglês Nigel Mansell pode ser o mais novo participante da GT3 Brasil, a partir do ano que vem. A informação foi divulgada pelo jornal Lance! desta quarta. De acordo com uma nota da coluna "De Prima", a direção da categoria está trabalhando para convencer o campeão mundial de 1992 a encarar as pistas brasileiras em 2008.

Difícil, muito difícil, mas será impossível? Nos últimos tempos, Mansell vem participando esporadicamente de categorias de turismo semelhantes. Em maio, por exemplo, o inglês correu numa prova da FIA GT em Silverstone, pilotando uma Ferrari 430. Este modelo, aliás, é um dos que está sendo utilizado na GT3 Brasil, ao lado de Lamborghini Gallardo, Dodge Viper e Porsche 997.

Vale lembrar que ontem mesmo o tricampeão Nelson Piquet confirmou participação na GT3 a partir da próxima temporada, pilotando um Ford GT 40. O brasileiro fez dupla com Mansell na Williams entre 1986 e 1987, quando os dois criaram uma das rivalidades mais conhecidas da história da Fórmula 1. Agora, fica a dúvida: estará Mansell disposto a reeditar a disputa?

O problema principal, obviamente, é o fato das corridas acontecerem no Brasil. Para alguém que pode competir sempre que desejar na Europa ou nos Estados Unidos, parece improvável que Mansell vá escolher a terra tupiniquim para fazer seu retorno às pistas. De qualquer maneira, não custa nada torcer para que o inglês aceite o convite da GT3 Brasil.

Por enquanto, Mansell mantém-se ocupado no acompanhamento das carreiras de seus filhos, Greg e Leo. Os dois disputaram a última temporada da Fórmula 3 Inglesa, sem muito sucesso. Para o ano que vem, segundo foi revelado há algumas semanas, Mansell conseguiu encaixar seus herdeiros na Fórmula Atlantic, espécie de categoria de base da ChampCar. Greg e Leo, porém, não fazem muito por merecer a oportunidade...

Enquanto não consegue convencer Mansell, a GT3 Brasil anunciou a presença de mais um nome de peso: Giuliano Losacco. Bicampeão da Stock Car em 2004 e 2005, ele vai dividir uma Ferrari 430 com Renato Cattalini na rodada dupla de Interlagos, no próximo domingo. Pelo visto, a GT3 Brasil está lutando mesmo para ganhar espaço. E tomara que consiga.

Se alinhar um grid completo em 2008, a categoria vai se tornar uma atração sensacional.

Os 10+ do Blog F1 Grand Prix: Os Dez Maiores Pilotos Brasileiros da História - Número 9

Continuamos, hoje, a última lista do ano da seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix. Como a Fórmula 1 está de férias, o melhor mesmo é falar de um assunto bastante polêmico: os Dez Maiores Pilotos Brasileiros da História. Sem perder mais tempo, vamos continuar:

10. Gil de Ferran
NONO COLOCADO - Christian Heins

Quem? Provavelmente, essa é a pergunta que muitos de vocês estão se fazendo neste exato momento. Um ícone do automobilismo brasileiro das décadas de 50 e 60, Christian Heins não entrou para a história como deveria. Apesar da enorme fama que alcançou no auge de sua competitividade, "Bino" - como era conhecido por todos - foi quase esquecido ao longo dos anos.

Christian Heins não está nesta lista apenas por causa de seus feitos e de suas vitórias. Mais do que isso: sua presença é necessária por tudo que ele representa. Símbolo de uma época em que era praticamente impossível para um piloto brasileiro fazer carreira fora do país, Bino foi vital para a sobrevivência do esporte a motor no Brasil. Dentro da pista, ele já era um dos mais respeitados.

E, fora dela, montou uma estrutura que facilitou imensamente os primeiros passos das carreiras de nomes como os irmãos Fittipaldi, José Carlos Pace, Ingo Hoffmann e até Nelson Piquet. Lembre-se que essa lista é a dos maiores, e não dos melhores pilotos brasileiros da história. Julgar a capacidade de Bino Heins dentro de um carro é muito difícil. Por tudo o que fez pelo esporte, porém, ele não poderia ficar ausente.

A trajetória de Christian Heins começa no dia 16 de janeiro de 1935, quando ele nasceu no bairro do Brooklin Paulista, em São Paulo. Filho de um bem-sucedido empresário de origem alemã e de uma italiana, Bino já demonstrava interesse pela mecânica desde criança. Como o automobilismo apenas engatinhava no Brasil, porém, ele foi obrigado a retardar o início de sua carreira, assim como todos os outros pilotos daquela época.

Sua estréia em competições aconteceu em maio de 1954, quando Bino resolveu se inscrever numa prova em Interlagos. De início, ele chamado de "Cometa", em virtude de sua impressionante velocidade. Logo depois, ganhou o apelido "Bino" - uma abreviatura de "Bambino" - por conta de sua mãe italiana. Esse nome iria lhe acompanhar pelo resto de sua vida.

Em 1956, aos 21 anos de idade, Bino participou da histórica primeira edição da Mil Milhas Brasil. Correndo com um VW Sedan, ele terminou na segunda posição, em dupla com outro grande nome do automobilismo daquele tempo: Eugênio Martins. Os adversários, em sua maioria, participaram com as chamadas "carreteiras", carros velhos mas equipados com motores de mais de 250 cavalos.

Um ano após conquistar o vice-campeonato na Mil Milhas, Bino partiu para a Alemanha. Indicado pelo presidente da Mahle no Brasil, ele conseguiu uma vaga na fábrica da Porsche, em Stuttgart. A princípio, seu trabalho era mecânico. Não demorou muito, porém, e Bino ganhou uma oportunidade como piloto da marca alemã. Era o início de sua fama.

Entre 1957 e 1960, Bino competiu em várias provas importantes da Europa, sempre conquistando resultados de relevância. Nesse período, ele chegou a correr em algumas das maiores pistas da história, como Nurburgring, na Alemanha, e Spa-Francorshamps, da Bélgica. De repente, Bino alcançou o status de ídolo nacional, ilustrado por um episódio curioso, ocorrido numa de suas voltas da Europa.

Ao passar pela alfândega do aeroporto de São Paulo, Bino teve apreendidos todos os seus troféus, já que eles não tinham nota fiscal. Irritada com a situação, a irmã de Bino - Ornella - enviou uma mensagem ao próprio presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek. Por incrível que pareça, JK respondeu, pedindo desculpas pela apreensão e classificando Bino como um "monumento nacional".

De fato, naquele tempo, a importância de Bino no esporte brasileiro só era igualada por duas outras personalidades: Maria Ester Bueno, no tênis, e Pelé, no futebol. Terminado o período com a Porsche, em 1960, Bino retornou ao Brasil, passando a se dedicar de vez às competições nacionais. Logo de cara, neste mesmo ano, ele venceu a Mil Milhas Brasil, em dupla com ninguém menos do que o lendário Chico Landi.

Um ícone dentro das pistas, Bino também viria a se tornar uma figura fundamental nos bastidores quando passou a coordenar o Departamento de Competições da Willys, em 1962. Com o desenvolvimento da equipe, Bino deu condições a vários jovens que desejavam seguir carreira no automobilismo. Pela primeira vez, graças aos seus esforços, a carreira de "piloto profissional" passou a ter valor no Brasil.

Já consagrado como piloto e obtendo bastante sucesso como chefe de equipe, Bino pensava em se aposentar em meados de 1963. Foi aí que ele recebeu um convite da Alpine para disputar nada menos do que as 24 horas de Le Mans. Era uma oferta irrecusável, e Bino naturalmente aceitou. Seu plano era participar da corrida e depois aproveitar algumas semans de férias na Europa, com a esposa.

No dia 15 de junho, Bino largou para a legendária corrida. Às 20:20, quando ocupava a primeira posição na categoria 700 a 1000cc e o terceiro lugar no geral, Bino se deparou com uma imensa mancha de óleo na pista. Seu carro rodou, atingiu outro que também havia saído da pista, capotou várias vezes, chocou-se com um poste e, por fim, pegou fogo. Bino foi levado com urgência ao hospital mas, infelizmente, não resistiu.

Sua morte foi um grande baque para o automobilismo nacional. Mesmo assim, Bino deixou muito bem organizada a equipe Willys no Brasil, que seria peça fundamental no início das trajetórias dos irmãos Fittipaldi, de José Carlos Pace e Ingo Hoffmann. O sucesso da Willys, entre outros fatores, gerou um público cativo para o esporte a motor no país. E foram justamente dessas competições quase amadoras que surgiram outros nomes famosos, como Nelson Piquet e Alex Dias Ribeiro.

Bino Heins pode não ser um dos pilotos mais conhecidos da história do automobilismo nacional, mas sua importância para o desenvolvimento do esporte no Brasil é incalculável. Além disso, Bino também foi um piloto extremamente vitorioso dentro das pistas. Difícil dizer se ele foi um dos melhores da história. Entre os maiores, porém, Christian Heins tem o seu lugar garantido.

Pelo status de "monumento nacional" alcançado no auge de sua carreira como piloto, pela magnífica coleção de vitórias dentro e fora do país e por ter contribuído de maneira imensurável para a popularização do automobilismo no Brasil, Christian "Bino" Heins leva o nono lugar na lista dos Dez Maiores Pilotos Brasileiros da História.

Como era de se esperar, o YouTube não possui nenhum vídeo com a presença de Bino. Ficamos, então, com o filme abaixo, um vídeo de apresentação da Mil Milhas 2007. Presente nas primeiras edições desta corrida, Bino foi vital para o crescimento da prova. Se não fosse por ele, talvez as imagens abaixo nem existissem:



A seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix volta amanhã, com o número oito da lista dos Dez Maiores Pilotos Brasileiros da História. E hoje, ao longo do dia, comentários sobre as principais notícias do mundo da velocidade. Até mais!

Crédito das fotos:
Demais - http://www.bandeiraquadriculada.com.br/Christian%20Heins.htm (este site também foi a principal fonte do texto)

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Red Bull descarta Alonso para 2008

Uma entrevista concedida pelo dono da Red Bull ao jornal suíço Motorsport Aktuell gerou hoje um mal-entendido em boa parte da imprensa especializada. Por conta de uma erro de tradução, vários veículos publicaram que Dietrich Mateschitz teria admitido negociações com Fernando Alonso para 2008. Na verdade, porém, o austríaco negou as conversas e descartou qualquer intenção de contratar o espanhol. Por enquanto.

"Pelo que leio na mídia, Alonso quer um compromisso de apenas um ano. Isso, para nós, seria inviável. A imprensa italiana diz que ele pode ser contratado pela Red Bull, mas não estou sabendo de nada disso. Nossa equipe já tem quatro pilotos acertados para a próxima temporada", falou Mateschitz. Com a porta da Red Bull aparentemente fechada, Alonso está perto de ficar sem muita alternativa.

Também nesta terça, o diário Marca publicou que as negociações do bicampeão com a Renault - a princípio, sua única opção restante - teriam "esfriado" em virtude de um impasse na questão da durabilidade do contrato. Alonso deseja um acordo curto, exigência que o principal dirigente da equipe francesa, Flavio Briatore, já aceitou. O problema é que o presidente da Renault, o brasileiro Carlos Ghosn, não concorda com as condições do espanhol.

Na Ferrari, Alonso "não tem espaço até 2010", como afirmou hoje o piloto de testes da equipe vermelha, Marc Gene, à agência EFE. Considerando todas essas informações, o mais provável é que Alonso termine mesmo desistindo da exigência de um contrato curto com a Renault. A definição deve acontecer já no início de dezembro, depois que a equipe francesa for julgada pela denúncia de espionagem levantada pela McLaren.

A Renault ainda não se acertou com Alonso, mas o segundo piloto da equipe já está escolhido: Nelson Angelo Piquet. Embora ainda não tenha sido confirmado como titular, ele é considerado nome certo pela quase totalidade dos especialistas. Aliás, o site Amigos da Velocidade revelou hoje que o presidente da Renault, Carlos Ghosn, vem ao Brasil em meados de dezembro para, entre outros compromissos, anunciar a contratação de Nelsinho.

"Não sei de nada ainda. As conversas continuam, e estou ansioso para saber o final. Quando a notícia for divulgada, todos vão saber ao mesmo tempo", limitou-se a dizer Nelsinho durante a entrega do prêmio "Capacete de Ouro", no último domingo. Pelo visto, não só ele - como também Lucas di Grassi, Giancarlo Fisichella, Heikki Kovalainen e tantos outros - vão precisar se contentar em esperar pelos acontecimentos.

Quando irá Fernando Alonso dar algum sinal de vida?



Assim como Nelsinho Piquet, outro brasileiro que espera a definição de Fernando Alonso para conhecer seu futuro é Lucas di Grassi. Vice-campeão da GP2 em 2007, di Grassi foi claro ao comentar sua expectativa para o ano que vem: "Quero ser piloto de testes da Renault". De fato, seria uma recompensa merecida após o excelente segundo lugar na última temporada da GP2. Nelsinho e Heikki Kovalainen seguiram o mesmo caminho...

Enquanto não anuncia seus pilotos para 2008, a Renault recebeu uma boa notícia nesta terça. Em comunicado distribuído à imprensa, a ING - principal patrocinadora da equipe francesa - declarou-se satisfeita com o investimento, apesar da queda de rendimento da Renault em relação aos anos anteriores. No que diz respeito ao aspecto financeiro, pelo menos, Flavio Briatore já pode ficar despreocupado.

Na Williams, a novidade é que Narain Karthikeyan pediu desligamento do time por sentir-se "sem espaço". Por incrível que pareça, porém, o destino do indiano não deve ser a Force India, Ao contrário: segundo Karthikeyan, já estão em andamento conversas com "grandes equipes". Será que ele está com toda essa moral mesmo? Difícil de acreditar, mas os financiadores de Karthikeyan são bastante generosos.

Para completar o giro pelas notícias da Fórmula 1, vale registrar a promessa do novo ministro dos esportes francês, Bernard Laporte: "Vamos fazer o que for preciso para manter o G.P. da França na Fórmula 1", garantiu ele ao L'Equipe. Sem dúvidas, a França - por toda a sua tradição e pioneirismo no esporte - não merece ficar de fora do calendário.

Mas será que não existe nada melhor no país do que o enfadonho circuito de Magny Cours?


A MotoGP abriu hoje mais uma semana de testes de pré-temporada, desta vez em Jerez de la Frontera. Como de costume, o atual campeão Casey Stoner dominou a tabela de classificação, mesmo tendo sido o piloto que menos completou voltas ao longo do dia. O australiano bateu em pouco mais de um décimo o espanhol Daniel Pedrosa, da Honda, seu mais próximo adversário.

De volta aos ensaios, o heptacampeão Valentino Rossi limitou-se ao terceiro tempo. Pelo visto, a Yamaha do italiano continua um pouco abaixo da Ducati de Stoner. Na seqüência, fechando os cinco primeiros, vieram os americanos Colin Edwards (Yamaha Tech 3) e o Nicky Hayden (Honda). Os testes da MotoGP em Jerez prosseguem amanhã, e só terminam na próxima quinta.

Enquanto isso, os organizadores da Corrida dos Campeões anunciaram os irmãos Petter e Henning Solberg como os representantes da Noruega na competição. Faltando menos de um mês para o evento, oito das nove nações participantes já tiveram suas formações confirmadas. Segundo as últimas especulações, o Brasil é um forte candidato a ocupar a única vaga restante.

Por fim, não dá para não ignorar a festa de premiação do "Capacete de Ouro", realizada no último domingo pela revista Racing. Espécie de "Oscar do automobilismo brasileiro", o evento homenageou uma série de figuras conhecidas no esporte nacional, além de celebrar os melhores do país ao longo da última temporada. A relação completa dos vencedores, em cada categoria, está logo abaixo:

F1 – Felipe Massa
Top – Tony Kanaan
Internacional – Lucas Di Grassi
Nacional – Cacá Bueno
Fórmula – Clemente Faria Jr.
Turismo – José Cordova
Endurance – João Santana e Victor Genz
Vip – César Urnhani
Truck – Felipe Giaffone
Rally – Rafael Túlio e Gilvan Jablonski
Off-Road – Maurício Neves e Clácio Maestreli
Kart – Dennis Dirani
Revelação – Erik Gasparini
Homenageados – Família Fittipaldi (Wilsinho e Christian), Felipe Massa, Tony Kanaan, Ingo Hoffmann, Nelsinho Piquet, Augusto Cesário e Pedro Muffato

A lamentar, apenas, a ausência de vários dos premiados. Na categoria Endurance, por exemplo, apenas três dos sete vencedores marcaram presença...


O vídeo do dia já é um clássico do YouTube. Com quase 150.000 visitas, as imagens abaixo mostram uma Kombi turbinada, que chega a alcançar 200 km/h numa rodovia de alta velocidade, provavelmente européia. Mesmo para quem já viu, vale a pena relembrar o momento histórico em que a Kombi "pede passagem" ao motorista de uma Ferrari que está logo à frente:


Antes que eu me esqueça: a dica é do internauta Luiz Augusto, que mandou a sugestão pelo e-mail do Blog: blogf1grandprix@hotmail.com.

Nesta quarta, o Blog volta com a seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix, apresentando o número nove da lista dos Dez Maiores Pilotos Brasileiros da História. E, ao longo do dia, comentários sobre as principais notícias do mundo da velocidade. Até amanhã!

Crédito das fotos:
Dietrich Mateschitz - www.formula1sport.net/
Fernando Alonso - http://www.motorsport.com/
Corrida dos Campeões - www.raceofchampions.com/

GT3 ganha um reforço de peso para 2008: o tricampeão Nelson Piquet

Agora, sim, parece que a mais nova categoria do automobilismo nacional está finalmente deslanchando. Após estrear neste ano com um grid de meros dez carros e um calendário cortado pela metade, a GT3 Brasil ganhou hoje um ótimo reforço: Nelson Piquet. A partir da próxima temporada, o tricampeão vai fazer parte do pelotão da GT3, fazendo dupla com o atual vice-líder da Stock Jr., Cássio Homem de Mello, a bordo de um Ford GT40.

Para quem não lembra, a última participação de Piquet numa competiçao importante foi na Mil Milhas Brasileiras de 2006, quando ele venceu a prova ao lado de Helio Castroneves, Nelsinho Piquet e Christophe Bouchut. Ao que parece, nosso tricampeão está bastante animado com sua nova empreitada. Num comunicado distribuído hoje à impresa, Piquet elogiou bastante a GT3 e o seu novo parceiro:

"A categoria tem tudo para se transformar na maior do Brasil, porque reúne aquilo que as pessoas que gostam de automobilismo querem ver: super carros, muita disputa, velocidade e tecnologia. Estou entusiasmado com este retorno e com muita vontade de acelerar o meu Ford GT. Sobre o Cássio, posso falar que ele é um piloto rápido e agressivo. Tenho certeza de que vamos formar uma ótima dupla", falou Piquet.

Vale mencionar que o Ford GT40 - a máquinta escolhida pelo tricampeão para desafiar Ferrari 430, Lamborghini Gallardo, Porsche 997 e Dodge Viper - tem uma das histórias mais belas do automobilismo. Idealizado para derrotar a Ferrari em provas de longa duração, o GT40 venceu as 24 horas de Le Mans quatro vezes seguidas, entre 1966 e 1969, deixando imortalizada sua clássica pintura azul e vermelha.

Embora já tenha um GT40 como carro de passeio, Nelson Piquet comprou outro para competir na GT3 Brasil. Entre seus novos adversários, está um velho conhecido: Roberto Pupo Moreno, com quem o tricampeão dividia garagens em Brasília, muito antes de ambos tentarem a sorte no automobilismo europeu. Moreno já está participando da temporada de estréia da GT3 e, por enquanto, aparece em décimo no campeonato.

No próximo dia 2 de dezembro, a categoria encerra seu campeonato inaugural com a rodada dupla de São Paulo. Depois disso, o objetivo é alinhar um grid completo em 2008, fato que não pôde acontecer neste ano porque as montadoras não conseguiram entregar todas as encomendas a tempo, em virtude da demanda dos certames europeus. Se tudo der certo, a GT3 pode, sim, tornar-se uma opção interessante no esporte a motor nacional.

Tomara que seja assim. Hoje em dia, infelizmente, apenas Stock Car e Fórmula Truck atraem um mínimo de atenção...

Crédito das fotos: http://www.globoesporte.com/ e www.me.mtu.edu

Os 10+ do Blog F1 Grand Prix: Os Dez Maiores Pilotos Brasileiros da História - Número 10

Começamos, hoje, a última lista do ano da seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix. Voltando ao formato antigo - em que somente um "número" é apresentando por post - vamos falar de um tema bastante polêmico: Os Dez Maiores Pilotos Brasileiros da História. Sem perder mais tempo, é hora de iniciar a contagem:

DÉCIMO COLOCADO - Gil de Ferran

Gil de Ferran é um piloto de certas contradições. Embora nunca tenha participado de um Grande Prêmio da Fórmula 1, foi um dos maiores nomes de sua geração, tendo se destacado em todas as categorias por onde passou. Tirando isso, Gil ainda possui mais uma "incoerência": por conta de uma peça do destino, ele não nasceu no Brasil. Mesmo assim, foi um principais representantes da história do automobilismo brasileiro.

Na época do nascimento de Gil, seu pai - Luc de Ferran - trabalhava em Paris, a serviço da então famosa equipe Willys. Foi na Cidade da Luz onde Gil nasceu, no dia 11 de novembro de 1967. Apenas nove meses depois, a família de Ferran voltou ao Brasil, instalando-se em São Paulo. A capital paulista seria o lar de Gil até os vinte anos de idade, quando ele decidiu tentar a sorte na Europa.

Antes disso, sua carreira foi recheada de vitórias. O primeiro contato com o automobilismo veio já aos cinco anos. Nessa época, Gil costumava andar com um kart na Cidade Universitária, supervisionado pelo pai. Para evitar excessos, Luc de Ferran impedia que o filho corresse muito rápido, colocando um taco de madeira atrás do pedal do acelerador.

Em 1983, aos quinze anos, Gil fez sua estréia em competições de verdade. Logo de cara, levou o título paulista de kart. Um ano depois, Gil foi vice-campeão brasileiro da categoria, ingressando na Fórmula Ford em 1985. O título veio em 1987, com cinco vitórias. Naquele momento, Gil precisou tomar uma decisão que influenciaria o restante de sua vida. Entre o automobilismo e a carreira de engenheiro, não teve dúvidas.

Contando com o apoio da família, Gil abandonou a faculdade e rumou para a Europa. O começo da trajetória, como era de se esperar, foi difícil. Mas, após conquistar resultados de relevo na Fórmula Ford Inglesa, Gil chamou a atenção de ninguém menos do que Jackie Stewart, o tricampeão da Fórmula 1. A parceria de sucesso teve início em 1990, na Fórmula Vanxall-GM.

Nos dois anos seguintes, Gil disputou a Fórmula 3 Inglesa, conquistando o título em 1992. Foram sete vitórias, que lhe credenciaram a fazer um teste com a Williams, a grande dominadora da Fórmula 1 naquela época. Gil andou com o carro em Silverstone, sendo assessorado pelo recém-contratado da Williams, Alain Prost. Mesmo com pista úmida, Gil virou um ótimo tempo, não muito distante do francês.

Mas o convite para a Fórmula 1 não veio. A solução foi disputar a Fórmula 3000 em 1993, mais uma vez ao lado da Stewart Racing. Gil venceu uma etapa, em Silverstone. No fim do ano, porém, foi apenas o quarto no campeonato. De qualquer maneira, conseguiu um teste com a Arrows, em Estoril. Se tudo corresse bem, Gil poderia ganhar uma vaga para 1994. Infelizmente, um lance de azar estragou a oportunidade.

Num intervalo dos ensaios, Gil bateu com a cabeça na quinta da porta do caminhão da Arrows, sofrendo um corte profundo. Sem condições de correr, ele precisou abrir mão do teste, e nunca mais recebeu outra chance. Após terminar em terceiro no campeonato de 1994 da Fórmula 3000 - com três vitórias - Gil precisou mudar o rumo da sua carreira. Resolveu, então, tentar a sorte nos Estados Unidos.

Já no início de sua carreira na antiga Fórmula CART, Gil ganhou uma reputação de rápido mas inconsistente. Correndo pela equipe Hall - um time mediano, cujo principal atrativo era a chamativa pintura amarela da Pennzoil - Gil demorou a traduzir velocidade em resultados. Seus críticos, porém, silenciaram depois da sensacional atuação em Laguna Seca, onde Gil venceu de forma dominadora a última prova do ano.

Resultado final: 14º no campeonato, suficiente para ganhar o título de "novato do ano", batendo os também brasileiros Christian Fittipaldi e André Ribeiro. Em 1995, Gil melhoraria ainda mais, fechando o ano em sexto, incluindo uma vitória na pista do aeroporto de Cleveland. De repente, ele já era outro: sua consistência virou uma marca registrada, e Gil passou a ser considerado um dos pilotos mais inteligentes do grid.

A tática de acumular resultados quase deu certo em 1997, quando Gil foi vice da CART - agora pela equipe Walker - mesmo sem nenhuma vitória. Logo depois, porém, o ritmo da Walker caiu e Gil perdeu rendimento junto. Ele não passou de 12º em 1998 e oitavo no ano seguinte, conquistando apenas um triunfo em todo essa tempo: a vitória na etapa de Portland de 1999. Era chegada a hora de mais uma mudança.

Dessa vez, Gil acertou em cheio. Ele assinou com a tradicional Penske, que não ganhava um título desde 1994, com Al Unser Jr. O ano de 2000 seria um conto de fadas para Gil e a esquadra brasileira na Fórmula CART. Foram oito vitórias de pilotos brazucas, sendo duas de Gil. No fim do ano, ele levou o título numa confusa e emocionante corrida no super-oval de Fontana, em que apenas cinco carros chegaram ao fim.

O bi da CART veio em 2001, numa temporada ainda melhor: Gil venceu duas vezes e levou o troféu de campeão com uma etapa de antecipação. Em 2002, a Penske mudou-se para a IRL, e ele foi junto com a equipe. Ao lado do companheiro Helio Castroneves, Gil lutou contra Sam Hornish Jr., mas o americano levou a melhor. O saldo do ano: uma vitória, terceiro no campeonato e um pavoroso acidente nos treinos para a etapa do Texas, que encerrou a temporada de Gil prematuramente.

Refeito do susto, ele estava de volta para mais uma excelente temporada em 2003. No fim, Gil foi vice da IRL, ganhando três corridas. Duas delas, especiais: as 500 milhas de Indianapolis - num triunfo para coroar sua carreira - e a etapa do Texas, naquela que foi a última prova de sua vida. Prestes a se aposentar, dizem que Gil recebeu um convite de Eddie Jordan para disputar a temporada de 2004 da Fórmula 1.

A trágica morte do novato Tony Renna em testes privados da IRL, porém, fez Gil mudar de idéia. Abrindo mão do sonho de correr na Fórmula 1, ele se aposentou no fim de 2003, encerrando uma carreira recheada de vitórias. Bicampeão da Fórmula CART - quando a categoria realmente era competitiva - e vencedor das 500 milhas de Indianapolis, Gil de Ferran não tem do que se queixar. Sem dúvida alguma, ele tem lugar cativo entre os maiores da histórias do esporte a motor nacional.

Por ter conquistado vitórias e disputado o título em todas as categorias pelas quais correu em sua carreira, pelo sensacional bicampeonato da Fórmula CART, na época em que a categoria vivia o seu auge, e pela emocionante vitórias nas 500 milhas de Indianapolis de 2003 - um verdadeiro grand finale para a sua trajetória nas pistas - Gil de Ferran leva o décimo lugar na lista dos Dez Maiores Pilotos Brasileiros da História.

A seguir, um vídeo em homenagem ao grande Gil. As imagens mostram as últimas voltas da etapa de Fontana de 2000, que selou o seu primeiro título na Fórmula CART. Vale registrar que a emocionante narração é de Téo José:



A seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix volta amanhã, com o número nove da lista dos Dez Maiores Pilotos Brasileiros da História. E hoje, ao longo do dia, comentários sobre as principais notícias do mundo da velocidade. Até amanhã!

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