quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Os 10+ do Blog F1 Grand Prix: As Dez Corridas Mais Caóticas da História - Número 6

Continuamos, hoje, a primeira lista do ano da seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix. Dessa vez, o assunto são corridas animadas, confusas e emocionantes, que certamente ficaram marcadas na memória dos fãs da velocidade. Sem perder mais tempo, vamos em frente:

10.Europa/1999
9. Mônaco/1982
8. Mônaco/1984
7. Inglaterra/1975
SEXTA COLOCADA - Grande Prêmio da Europa de 1993

Se você acompanhou o post de ontem de ontem, já sabe o estrago que a chuva pode fazer numa corrida de Fórmula 1. No G.P. da Inglaterra de 1975, o clima instável transformou a prova numa verdadeira loteria, levando o caos ao circuito de Silverstone. Vários pilotos bateram, e a prova precisou ser interrompida simplesmente porque não haviam carros suficientes ainda na pista.

Durante muito tempo, aquele G.P. da Inglaterra foi lembrado como um exemplo perfeito da capacidade que a chuva tem de bagunçar as coisas. Quase vinte anos depois, porém, seria muito pior. No G.P. da Europa de 1993, as condições climáticas mudaram tantas vezes que a corrida estabeleceu o recorde absoluto de pit stops realizados. Quantos? Ninguém realmente sabe exatamente, porque contar todos é uma tarefa quase impossível.

No meio de tanta água, Ayrton Senna deu um show arrepiante, numa das maiores atuações da história do automobilismo. Era como se ele estivesse correndo no seco, e os outros no molhado. Mesmo assim, Senna também não escapou das peças que a chuva pregou naquele dia. Na verdade, praticamente não havia como escapar...

O G.P. da Europa de 1993 aconteceu apenas algumas semanas depois do G.P. Brasil do mesmo ano, quando a chuva já havia mudado de forma determinante o destino da corrida. Uma tempestade tropical atingiu o autódromo de Interlagos, e causou uma série de acidentes que tiraram, entre outros, o favorito Alain Prost da disputa. Aproveitando-se dos problemas do rival, Senna venceu pela segunda vez em casa, para delírio das arquibancadas.

Ainda era início de temporada, porém, e Prost continuava como o piloto a ser batido no campeonato. Quando a Fórmula 1 chegou a Donington para o G.P. da Europa, ninguém esperava que o francês saísse derrotado. Ao menos, em condições normais. Felizmente para Senna, a corrida foi tudo, menos "normal". Culpa, é claro, da chuva.

Na hora da largada, uma fina garoa caía sobre Donington. Prost sai bem da pole e mantém a liderança, com seu escudeiro Damon Hill em segundo. Mais atrás, Senna dá início a uma volta antológica, que ficaria para sempre lembrada como um dos momentos mais sublimes do esporte. Após perder a quarta posição no arranque, Senna supera Michael Schumacher na primeira curva, e não demora para atacar o terceiro colocado, Karl Wendlinger.

A ultrapassagem vem no "S" de Donington, talvez o ponto menos indicado para uma manobra. Duas curvas depois, Senna supera Hill, e parte à caça de Prost. Antes mesmo do fim da primeira volta, os dois ficam lado a lado no hairpin, e Senna leva a melhor. Quando passa pelos boxes, ele já é o líder. Mas a corrida ainda não estava ganha. Aliás, nem perto disso.

Já de cara, Wendlinger e Michael Andretti batem, tornando-se as primeiras vítimas da chuva de Donington. Lá na frente, Senna abre uma vantagem de sete segundos para Prost, sem maiores dificuldades. Então, começa a confusão. Enquanto Martin Brundle sai da pista e abandona, a chuva diminui de intensidade. Logo depois, ela pára de vez.

Com a pista secando, Senna vai ao box e deixa a liderança para Prost. Uma volta depois, é a vez do francês fazer a sua parada. De repente, Mark Blundell roda sozinho e acende o alerta para os pilotos: a chuva havia voltado. Sem perder tempo, Prost resolve tomar a iniciativa e volta a calçar pneus "biscoitos", enquanto Hill segue a mesma tática.

Por sua vez, Senna tenta continuar sem visitar os boxes, mas não consegue. Após permanecer quatro voltas com pneus de seco numa pista bem molhada, ele faz seu pit stop, retornando ainda na ponta. Menos de vinte giros já haviam sido completados, e a maioria dos pilotos já havia feito duas paradas. Por incrível que pareça, até o fim da corrida continuaria sendo assim.

Andando num confortável quarto, Schumacher sai da pista e abandona na volta 22, justamente quando a chuva pára mais uma vez. Nova rodada de pit stops entre os líderes. Dessa vez, Senna tem um problema e perde vinte segundos, deixando a liderança para Prost. Mas o francês não ficaria na ponta por muito tempo. Parece brincadeira, mas uma leve garoa volta a cair sobre Donington. E agora?

Talvez cansado de visitar seus mecânicos, Senna decide continuar na pista. Prost e Hill páram, e o brasileiro abre distância na liderança. Este quarto pit stop do francês foi um desastre: Prost deixa morrer o motor e perde muito tempo, voltando com uma volta de atraso para Senna. A vitória já estava perdida. Pior para Williams, porém, era que Hill não conseguia se aproximar do novato Rubens Barrichello, que mantém um ritmo excepcional na segunda posição.

Rubinho ainda estava de pneus "biscoito", embora a pista secasse cada vez mais. Num certo momento, Senna chega para colocar uma volta de vantagem sobre Rubinho, mas a sinalização não é feita de maneira clara. Pensando estar lutando pela liderança, Rubinho fecha Senna durante algumas voltas, antes de tomar a ultrapassagem.

Enquanto isso, vários pilotos saem da pista ao mesmo tempo. Alguns abandonam de vez, mas a maioria consegue arranjar uma forma de voltar à corrida. Após andar muito tempo em segundo, Rubinho perde a posição para Hill quando finalmente troca para pneus de seco, na volta 54. Para azar do piloto da Jordan, a chuva retorna com força logo depois.

Trata-se de uma quantidade razoável de água, mas ainda não o suficiente para molhar a pista inteira. Na volta 57, Senna decide colocar pneus "biscoito". Ele entra nos pits, mas a McLaren não está preparada. Sem aliviar, Senna continua acelerando, e estabelece a volta mais rápida da prova, aproveitando o fato do pit lane de Donington cortar boa parte do circuito.

Uma volta depois, todos esperam a parada de Senna. Mas este, por algum motivo, resolve continuar na pista. Mais tarde, vem a explicação: durante a volta "extra" que Senna precisou fazer, a chuva parou de novo, e o brasileiro decidiu não fazer sua parada. As condições em Donington estavam mudando num ritmo inacreditavelmente rápido...

Como num grand finale, a chuva desaba de vez nas últimas voltas. Os sobreviventes do pelotão colocam pneus para pista molhada, e dessa maneira recebem a bandeirada pouco depois. Senna vence, com quase uma volta de vantagem para Hill. Prost é um discreto terceiro, com Johnny Herbet em quarto, Riccardo Patrese em quinto e Fabrizio Barbazza em sexto. Por sua vez, Rubinho tem um problema eletrônico no finalzinho, e abandona quando tinha o terceiro lugar garantido.

O saldo final de Donington: cinco pilotos desistem da prova por acidentes ou rodadas, mas o número de "ocorrências" chega a pelo menos vinte. Mesmo ganhando, Senna faz quatro paradas. Prost e Hill, somados, visitam os boxes incríveis treze vezes. A confusão é tanta que Williams precisa usar pneus usados, uma heresia para uma equipe tão poderosa e organizada. Definitivamente, o G.P. da Europa de 1993 foi um autêntico caos para muita gente...

Pelo elevado número de rodadas e acidentes, pela insólita "roleta dos boxes" e, principalmente, pelas sucessivas e malucas mudanças de tempo e das condições da pista, o Grande Prêmio da Europa de 1993 leva o sexto lugar na lista das Dez Corridas Mais Caóticas da História.

Um usuário do YouTube disponibilizou a corrida inteira na internet. O vídeo abaixa mostra apenas as primeiras voltas da prova, com as espetaculares ultrapassagens de Senna sendo o destaque principal. Se você tiver tempo, paciência e disposição para assistir tudo, basta clicar aqui.



A seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix volta amanhã, com o número cinco da lista das Dez Corridas Mais Caóticas da História. E hoje, ao longo do dia, comentários sobre as principais notícias do mundo da velocidade, com destaque para o lançamento do novo carro da Red Bull e o último dia de testes em Jerez de la Frontera. Até mais!

Crédito das fotos:
Número Seis - http://www.onflex.org/
Fotos 3, 4 e 10 - http://www.f1-facts.com/
Fotos 2, 5, 6, 7, 8 e 9 - http://www.youtube.com/

7 comentários:

Anônimo disse...

Acho que você já falou dessa corrida a um tempo, naquela lista das melhores atuações. O relato ficou um pouco confuso por causa das mudanças da chuva o tempo inteiro, mas considerando o que foi a corrida não tinha como fazer melhor. Esse GP merecia vários e vários posts, relembrar essa maravilhosa vitória do Ayrton não tem preço!

Anônimo disse...

Essa corrida eh uma das coisas mais lindas q eu jah vi na minha vida junto com a recuperação do Flamengo no Brasileirao ano passado! Da primeira volta do Senna naum eh nem preciso falar, a corrida do Rubinho tb foi otima, pra mim ela mostrou q ele tinha mais potencial q o Hill (naum fosse akele acidente em Imola 94...)
Se quiserem ver outra parte da superioridade de Senna na corrida, eh soh ver a volta de desaceleração: Hill soh cruza a linha de chegada quase 1 minuto dpois de Senna, assim como Prost, q saiu dakele GP completamente arrasado
Bom, sem mais palavras...melhor deixar meu momento viuva pra lah, rs...

Net Esportes disse...

vendo essas corridas antigas percebo que o fato da F-1 ser o que é hoje não é algo atoa, corrida fantástica !!

Anônimo disse...

Pois é, Gustavo...

Quando chove, pára, chove de novo... e again... again... vira loteria mesmo, mas nessa o Senna foi o Senhor das Pistas, again... não deu bola pra zebra nenhuma!

E o Rubinho (seria ele a zebra???) se achando, hein... vou até assistir essa corrida, de novo!

Senna, Prost e Schumacher, três gerações espetaculares numa mesma temporada... taí um trio pra não se botar defeito.

Abraços!

Speeder76 disse...

Correr em Inglaterra é sempre uma lotaria... mas para mim, essa corrida, que ocorreeu no Domingo de Páscoa de 1993, vai ser inesquecível por tudo isso e muito mais. Só a primeira volta do Senna já basta, né?

Felipe Maciel disse...

Corridaça... E é a número 6... essa lista tá demais.

E o Rubinho abandonou nem ao estilo Barrichello de abandonar.

abs

Marcos Antônio disse...

Depois de Interlagos e dessa corrida em Donington é que eu realmente comecei a acompanhar assiduamente a F1.Na temporada passada já estava começando a me interessar por causa da Williams do Manesell,mas em 93 que comecei a me apaixonar pelo o esporte.A primeira volta foi inesquecível.A corrida em si foi bastante confusa,mas a primeira volta do Senna me marcou...