terça-feira, 14 de outubro de 2008

Fórmula 1 não pode perder sua identidade

As equipes ainda estão no início das conversas, mas tudo indica que as discussões sobre o futuro da Fórmula 1 vão trazer mudanças profundas no formato da categoria.

Nesta terça, o chefe da McLaren Martin Whitmarsh - um dos nomes centrais da nova Associação de Equipes - revelou que as escuderias cogitam abolir os pit stops, reduzir o tamanho das corridas e praticamente eliminar os testes coletivos entre as corridas.

Ainda não dá para saber quais dessas idéias vão vingar.

Já é quase certo, porém, que a F-1 não vai continuar como está.

A necessidade de diminuir gastos e de tornar a categoria ecologicamente correta pode produzir mudanças impensáveis há poucos anos.

Algumas são até viáveis e interessantes, mas há outras que são meio desprovidas de bom senso.

Começamos pela suposta eliminação dos pit stops, uma proposta a ser levada a sério.

Não faz muito tempo, Nelson Piquet afirmou que o mais legal das corridas de sua época era que os pilotos não planejavam a tática antes da largada, e sim durante a prova.

De acordo com o desgaste dos pneus e do tanto de combustível que restava no tanque, os pilotos visitavam ou não os boxes, diminuíam o ritmo ou continuavam acelerando.

Com os pit stops, tudo se tornou bem mais previsível.

Abolir as paradas de reabastecimento poderia ser até interessante. O problema é que há muitos fatores a serem considerados.

As fornecedores de combustível, por exemplo, exibem suas marcas com mais destaque justamente na hora dos pit stops.

Além disso, o fim das paradas forçaria um novo desenho para o tanque de combustível do carro, que passaria a ter tamanho diferente. Nessa altura, talvez não haja tempo para mudar os projetos dos modelos de 2009.

Outra proposta polêmica é a que prevê a redução do tamanho das corridas.

Esta, sim, é um atentado à história da F-1.

Para uma categoria com a importância da Fórmula 1, seria ridículo pensar em provas com cerca de 40 ou 50 minutos de duração, mas infelizmente isso pode vir a acontecer.

Alguém teria coragem de chamar de ''Grande Prêmio'' uma corrida que demorasse menos de uma hora? Realmente não dá.

O perigo desta idéia é que abre espaço para outra, ainda pior: duas baterias por fim de semana, a segunda com grid invertido de acordo com o resultado da primeira.

Se chegar a esta ponto, a Fórmula 1 vira mais espetáculo do que competição. Quem realmente gosta do esporte a motor não pode ser favorável a isso.

Pelos próximos dias, os dirigentes da Associação das Equipes vão continuar discutindo idéias de novas regras para a Fórmula 1, com destaque para propostas que mudem o formato da categoria.

Agora, é torcer para que não exagerem na dose.

Na pior das hipóteses, a categoria poderia ser transformada numa espécie de GP2 ligeiramente melhorada.

Tomara que os dirigentes das equipes tenham bom senso.

A Fórmula 1 precisa se adaptar aos novos tempos, mas não pode perder sua identidade.

9 comentários:

Paulo Maeda™ disse...

realmente, parece que está chegando um tempo tenebroso pra F1.
Qto a tirar os pits stops, sou contra. Já tivemos várias temporadas assim e sinceramente não gostei. Vide o exemplo da Stock car, q colocou os pits, justamente pra dar uma chance de troca de posições a mais.
Agora qto as 2 baterias, está virando uma realidade. Se a própria GP2 já é assim, realmente a F1 deve estar perto deste fim. Seria interessante, mas faz perder totalmente a identidade que a F1 tem a mais de 50 anos.

Fábio Andrade disse...

"Se chegar a esta ponto, a Fórmula 1 vira mais espetáculo do que competição"

Grande Coelho! Se chegarmos a esse ponto a F1 vira um desses shows automotivos tipicamente americanos. Seria uma desfiguração total da categoria.

Duvido que aconteça algo tão radical. Na hora do "vamo ver" alguém surge com uma opção mais amena.

Luiz Fernando disse...

Desse jeito a F1 vai perder a originalidade. Virar uma gp2 melhorada seria terrível. Eles precisam entender que a F1 não é apenas um esporte vai muito além disso. se isso acontecer não haverá mais a combinação piloto-carro e sim piloto-piloto. Muitas das tecnologias que usamos nos carros de hoje vieram do desenvolvimento dos F1. Acho que com essa mudança isso acabaria.

nick mason disse...

Se essas coisas realmente ocorrerem, ao invés de atrair público, a F1 vai perder fãs, já, perderá lucro! A sugestão mais coerente dentre todas essas citadas, talvez a de banir os pit-stops seria a mais plausível, mas particularmente, sou contra. Já que querem cortar custos, que limitem o orçamento das equipes... colocar pra se virar nos 30! Na verdade, se virar no máximo com uns US$200.000.000,00 já estaria de bom tamanho. Pelo menos em orçamento as escuderias estariam mais equiparadas... e claro, seria um puta corte de gastos.

f1brasil2008.blogspot.com disse...

Não é raro escutarmos ou participarmos de debates automobilísticos onde se questiona quem seria o melhor piloto de todos os tempos na F-1. Não menos rara é a tendência de se atribuir méritos aos pilotos da F-1 recente em detrimento daqueles que deram início a tudo. Aí pergunto a vocês: qual piloto da atualidade teria coragem de pilotar o Mercedes W-196 de Fangio, sem aerofólios, sem “santo antonio”, sem capacete, com pneus diagonais estreitos, a 230 Km/h em Mônaco? Pois bem. Onde quero chegar com esse assunto? Assistindo ao primeiro treino do ano, percebi a dificuldade imensa enfrentada pelos pilotos devido à falta do controle de tração. Foi um festival de saídas de pista por erro na aproximação de curva ou nas retomadas de aceleração. Quanta dificuldade quando se requer sensibilidade! A parafernalia eletrônica que tomou conta da F-1 reduziu drasticamente a diferença entre o tosco e o refinado. Na era turbo um F-1 tinha cerca de 1200 hp, quase o dobro de potência dos carros atuais, montados sobre um chassi rústico para os dias de hoje. Os carros tinham componentes de madeira e as pistas tinham plantações e barrancos ao redor. Com tudo isso, até pouco tempo, o recorde de velocidade pertencia a Ayrton Senna com sua Lotus Renault preta JPS, quase 360 km/h. Não havia controle de tração, fly by wire, suspensão inteligente, centralinas, os câmbios eram manuais e a troca de marchas dependia do acionamento da embreagem com o pé esquerdo. Qualquer erro na troca despejaria 1200 hp no câmbio e aí era uma vez uma caixa de marchas! Três largadas eram suficientes para acabar com a embreagem. Não havia reabastecimento e os pilotos largavam com tanque cheio torcendo pra que o combustível fosse o suficiente para terminar a corrida. Imaginem a mudança de comportamento do carro durante a prova, em virtude de tamanha alteração de peso! Os carros eram “jipões” com motor de avião”. Hoje temos um carro com suspensão, chassis e componentes aerodinâmicos superiores ao de qualquer avião montados sob motores que têm míseros 600 hp. E o que vimos, no primeiro treino da temporada, foi uma dificuldade terrível pra se manter na pista. Agora entendo porque somente nessa temporada aboliram o controle de tração. Basta imaginar como seria hoje ter Michael Schumacher (como já disse: último herdeiro de uma geração sem precedentes) numa Ferrari ou McLaren. Seria um banho! Ele não é piloto de simulador e não tem simulador no mundo que seja realista o suficiente para descrever o comportamento de um carro volta a volta, sem os apetrechos redutores da diferença entre o piloto tosco e o refinado.A F-1 parece ter deu um passo enorme para deixar de ser um jogo de vídeo game chamado “Carrossel” e o segundo passo será o término do reabastecimento. Nada de reduzir o tempo das provas ou realizar duas baterias.
Até mais tarde.

F1 NA GERAL disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
F1 NA GERAL disse...

Não concordo com nenhuma dessas mudanças e acho que dificilmente algo relevante irá acontecer. O interesse comercial é muito grande. De toda forma vamos aguardar.
Abraços.

Saulo Milleri Biral disse...

Mais mudanças na Fórmula 1. Até que algumas são interessantes, mas outras não dão pra entender. Vamos ver o que vai acontecer né. Só espero que a Fórmula 1 não perca o seu encanto.

Guilherme (RJ) disse...

Mas com todas essas mudanças visando a diminuição dos custos é cada vez maior o interesse por novas pistas, principalmente dos grandes chefes da F1. Vários países estão se credenciando a sediar GPs. Na verdade ninguém se entende nesse 'circo'.