A partir de hoje, a seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix inicia uma nova fase. Durante as próximas semanas, as listas vão funcionar como um review da temporada 2007, repassando tudo o que de melhor aconteceu no campeonato recém-encerrado. Começamos com o mais simples e polêmico dos rankings: "Os Dez Melhores Pilotos".
Para quem gosta do formato tradicional da seção, um lembrete: no fim de novembro, as listas da seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix voltam a falar de fatos históricos da Fórmula 1. Por enquanto, porém, o foco é na análise da temporada que terminou há nove dias. Sem perder mais tempo, lá vamos nós:
DÉCIMO COLOCADO - Heikki Kovalainen
No início da temporada, muita gente apostava em Heikki Kovalainen como o "novato do ano". Vice-campeão da GP2 em 2005, o finlandês fazia sua estréia na Fórmula 1 após ganhar bastante quilometragem como piloto de testes da Renault. A expectativa era grande, mas Kovalainen começou o campeonato derrapando.
Sua primeira corrida - na Austrália - foi um "desastre", nas palavras de seu próprio chefe, Flavio Briatore. Kovalainen não passou de décimo com o carro da campeã do ano anterior, tendo saído da pista ao menos três vezes durante a prova. Não demorou muito e o finlandês viu-se ofuscado pelo também novato Lewis Hamilton, que conseguia resultados espetaculares com a McLaren.
Depois de cinco Grandes Prêmios, Kovalainen havia marcado apenas três pontos. Seu companheiro, o veterano Giancarlo Fisichella, já tinha 13. A imprensa especulava: Nelsinho Piquet substituiria o finlandês depois da rodada norte-americana da Fórmula 1, no Canadá e nos Estados Unidos. Kovalainen estava por um fio, e precisava urgentemente reagir.
Aí, finalmente, o finlandês mostrou do que era capaz. Um quarto lugar em Montreal foi o primeiro sinal de mudança. Com o emprego garantido, as performances de Kovalainen passaram a evoluir. Entre os G.Ps. da Inglaterra e do Japão, ele pontuou sete vezes consecutivas. A boa fase culminou com a segunda colocação no aguaceiro de Fuji, que recompensou todo o trabalho duro de Kovalainen.
No fim da temporada, seu companheiro Giancarlo Fisichella já estava derrotado. O placar final: Kovalainen 30 a 21. Foi mais apertado do que o esperado. Ao menos, porém, o finlandês levou a melhor. Para o ano que vem, Kovalainen ainda não tem vaga garantida na Renault, mas é quase certo que ele continua na Fórmula 1. Considerando seu potencial e as performances consistentes na segunda metade de 2007, ele merece.
Pontos altos: Canadá, Turquia e Japão
Pontos baixos: Austrália, França e Brasil
Posição final no campeonato: 7º, com 30 pontos
Em 2008: provável titular de Renault, Williams ou McLaren
NONO COLOCADO - Adrian Sutil
"O Natal chegou mais cedo para mim". Foram essas as palavras de Adrian Sutil logo após o anúncio de sua contratação pela Spyker como titular, em dezembro do ano passado. Mais um dos numerosos pilotos de testes do time laranja, Sutil levou a melhor no processo de seleção da equipe. Sua escolha, porém, era vista com ceticismo pela maioria dos especialistas.
Na disputa interna da Spyker, o amplo favorito era o holandês Christijan Albers, que já tinha dois anos de experiência como titular na Fórmula 1. Mas, logo de início, Sutil mostrou que era um adversário difícil de ser batido. No G.P. inaugural da temporada, na Austrália, o alemão derrotou seu companheiro de equipe no grid e conseguiu chegar ao fim da prova, enquanto Albers abandonou ao sair da pista.
Nas corridas seguintes, ficou claro que a Spyker tinha o carro mais fraco do pelotão. Seus dois pilotos invariavelmente largavam da última fila do grid, com a única motivação de lutar um contra o outro. E, nessa disputa, Sutil começou a se sobressair. Após cinco corridas, o novato alemão já dava uma goleada de 4 a 1 em classificações.
Em Mônaco, um momento especial: no treino de sexta - disputado em condições adversas de tempo - Sutil faz uma volta rápida nos último segundos e, aproveitando a pista que seca, termina com o melhor tempo da sessão. A Spyker comemora bastante o feito inédito. Mais do que nunca, Sutil havia se tornado o principal piloto da equipe.
Após o já famoso "episódio da mangueira", Albers perdeu seu emprego na equipe. Ao mesmo tempo, Sutil estabelecia-se como uma jovem promessa da Fórmula 1. O pontinho conquistado na chuva do G.P. do Japão foi uma tremenda façanha, considerando a lentidão de seu carro. Agora, ele deve continuar na Spyker em 2008, renomeada Force India F1. Uma injustiça. Depois do que mostrou em seu ano de estréia, Sutil merece muito mais.
Pontos altos: Mônaco, Bélgica e Japão
Pontos baixos: Malásia, China e Brasil
Posição final no campeonato: 19º, com 1 ponto
Em 2008: Provável titular de Force India F1, Toyota ou Williams
OITAVO COLOCADO - Robert Kubica
Seis corridas foram suficientes para colar ao lado de Robert Kubica o rótulo de "nova estrela da Fórmula 1". Em 2006, o polonês substituiu Jacques Villeneuve na BMW em alto estilo, conseguindo um performance marcante no G.P. da Itália, quando conquistou um excepcional terceiro lugar. Assim, no início da temporada 2007, a maioria apostava em Kubica na disputa interna contra Nick Heidfeld.
Mas começo do ano foi bastante difícil para o polonês. Por alguma razão, o modelo da BMW, que sofria de um crônico problema de câmbio, parecia quebrar somente nas mãos de Kubica. E, assim, Heidfeld abriu uma distância confortável nas primeiras provas, marcando 15 pontos contra apenas três do polonês.
Kubica reagiu na Espanha e em Mônaco, provas em que foi claramente superior ao companheiro de equipe. Em seguida, porém, veio o terrível acidente no G.P. do Canadá. E, junto com a pancada, a dúvida: será que o impacto traumatizante afetaria o desempenho do jovem polonês? Muito pelo contrário. Kubica retornou mais forte do que nunca.
As corridas seguintes mostraram toda a capacidade do polonês. Ele conseguiu dois quartos lugares - na França e na Inglaterra - batendo Heidfeld sem maiores dificuldades. Depois, até o fim do ano, Kubica ainda teria atuações bastante destacadas no Japão, onde travou um duelo absolutamente espetacular contra Felipe Massa, e na China, quando quebrou enquanto liderava a corrida.
Muitos pilotos nunca mais foram os mesmos após sofrerem graves acidentes. Nelson Piquet, por exemplo, admitiu ter perdido parte de seu instindo após sua batida em San Marino, 1987. Com Kubica foi diferente. Após ter passado por uma experiência horrível, o polonês apenas se forteleceu. Agora, na próxima temporada, ele deve continuar sua evolução. Uma primeira vitória não seria surpresa.
Pontos altos: Espanha, França e Japão
Pontos baixos: Austrália, Malásia e Canadá
Posição final no campeonato: 6º, com 39 pontos
Em 2008: Titular confirmado da BMW
SÉTIMO COLOCADO - Sebastian Vettel
Quando Sebastian Vettel assinou com a Toro Rosso para as corridas finais da temporada 2007, meu primeiro pensamento foi: "esse garoto pode jogar a carreira pela janela". Alguns meses depois, porém, o jovem alemão provou que eu estava redondamente errado. Vettel não só deu certo na Toro, como ganhou
status de provável futuro campeão da Fórmula 1.
E não é exagero. No início dessa temporada, a experiência de Vettel era limitadíssima. Mesmo assim, a BMW apostou no alemão, assinando com ele para o cargo de piloto de testes. Vettel impressionou tanto que se sobressaiu ao outro piloto reserva da equipe, o rápido Timo Glock. Se algo acontecesse com os titulares da BMW, Vettel seria o escolhido para substituí-los.
Foi aí que Robert Kubica se arrebentou no G.P. do Canadá, e alemão ganhou uma inesperada oportunidade em Indianapolis. Justamente no maior templo do automobilismo mundial, Vettel estreou com um oitavo lugar, tornando-se o piloto mais jovem a marcar pontos em toda a trajetória na Fórmula 1. Apenas aos 19 anos de vida, Vettel já havia escrito seu nome na história da categoria.
O desempenho do alemão chamou a atenção da Toro Rosso, que o contratou para o lugar de Scott Speed. Na filial da Red Bull, as chances de Vettel eram supostamente limitadas. Afinal, o melhor resultado da equipe na temporada, até ali, havia sido um nono lugar. Vettel dificilmente conseguiria aparecer bem. Certo? Errado. Muito errado. Nos sete G.Ps. em que tomou parte pela Toro, Vettel fez muito mais do que a equipe sonharia.
No Japão, o alemão chegou a andar em terceiro antes de jogar tudo fora ao chocar-se com Mark Webber. Seria uma oportunidade única desperdiçada? Nada disso. Logo na prova seguinte, na China, veio um espetacular quarto lugar. Sem dúvida alguma, deslumbrar um futuro glorioso para Vettel não é nenhum exagero. O alemão, certamente, é um campeão mundial em potencial.
Pontos altos: Estados Unidos, Japão e China
Pontos baixos: Hungria, Turquia e Itália
Posição final no campeonato: 14º, com 6 pontos
Em 2008: Titular confirmado da Toro Rosso
A seção Os 10+ do Blog F1 Grand Prix volta amanhã, apresentando os números 6, 5 e 4 da lista dos Dez Melhores Pilotos da Temporada 2007. E hoje, ao longo do dia, comentários sobre as principais notícias do mundo da velocidade. Até mais!